Sarney afirma que nunca pediu nada; Fialho nega benefício

Procurado pelo Estado, o senador José Sarney (PMDB-AP) informou, por meio de sua assessoria, que conheceu o empresário Antônio Celso Grecco, do Grupo Rodrimar, recentemente, em evento social, mas não é seu amigo e nunca pediu nada para ele em órgãos públicos.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2013 | 02h02

O Grupo Rodrimar negou ter sido beneficiado por decisão da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Em nota, explicou que a resolução está amparada na legislação vigente, foi aprovada pelas áreas técnicas da agência e da Companhia Docas de São Paulo (Codesp), e passou pelo crivo do Tribunal de Contas da União ( TCU).

"A autorização para unificação dos contratos foi dada pelo colegiado da Antaq e não foi uma decisão individual do então diretor-geral, Fernando Fialho. A unificação dos contratos só foi autorizada visando o interesse público, pois representava aumento da capacidade de operação do Porto de Santos e a Rodrimar passou a pagar, para a área total do terminal, um valor maior pelo arrendamento", diz a nota.

O Grupo Rodrimar não respondeu a perguntas do Estado sobre as relações de Grecco com Sarney e Fialho. Sua assessoria informou que o advogado Marco Antônio Martorelli não atua há anos para o grupo na área portuária, tendo mantido, eventualmente, apenas processos relativos a outras questões.

Fialho sustentou, em nota, que suas relações pessoais não interferiram nos despachos como diretor da Antaq: "Ao longo da minha vida profissional tenho amealhado amigos em todas as esferas, pública, empresarial, jornalística, sem que isto signifique vínculo com decisões profissionais".

Segundo o ex-diretor, a resolução que prolongou a permanência do Grupo Rodrimar em Santos foi uma demanda da Codesp, e não das empresas envolvidas. A decisão, afirma, não foi individual, mas colegiada, após "criteriosas análises técnicas e jurídicas". Fialho acrescentou que o processo atendeu à legislação, que "ampara e permite a transferência de contratos".

A Antaq informou que o pedido de unificação dos contratos, levado pela Codesp, foi aprovado por suas áreas técnica e jurídica. Segundo a agência, a resolução só foi editada após aprovação unânime do colegiado e trouxe benefícios, como a manutenção de receitas pela Codesp e a eficiência operacional no cais de Saboó.

"Outros casos de unificação de contratos e de alteração de titularidade já foram objeto de deliberação", avisou a agência, sem citar exemplos. / F.F. e F.M.

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