'São fatos da história', diz Celso Amorim

O ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou ontem que o relato que a presidente Dilma Rousseff fez ao Conselho de Direitos Humanos de Minas, em 2001, sobre as torturas que ela sofreu quando esteve presa em Juiz de Fora, em 1972, serve para "cada cidadão formar uma ideia" sobre o regime militar.

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h06

Em visita ao espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana, zona sul do Rio, Amorim não se alongou muito sobre a recente divulgação do relato pelo jornal O Estado de Minas. "Eu acho que são fatos da história, eles vão aparecendo. Cada cidadão forma a sua ideia sobre isso", afirmou.

O envio dos documentos sobre o episódio à Comissão da Verdade também não motivou Amorim a fazer comentários mais aprofundados sobre o caso. "A Comissão da Verdade é para justamente reestabelecer a verdade e permitir que as pessoas conheçam os fatos, sob todos os ângulos. É só o que eu tenho a falar sobre isso", disse o ministro.

A nomeação de Amorim para o Ministério da Defesa, em agosto do ano passado, logo após a demissão de Nelson Jobim, desagradou a setores militares, que ficaram contrariados com o que chamaram de "decisões ideologizadas" tomadas por ele quando esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores, entre 2003 e 2010. Na Defesa, Amorim tem dado declarações cuidadosas.

Então militante do Comando de Libertação Nacional (Colina), grupo que aderiu à luta armada contra o regime militar, Dilma relatou uma série de torturas às quais foi submetida quando esteve presa na cidade mineira. Ela sofreu choques elétricos, passou pelo pau de arara, apanhou de palmatória e levou socos de agentes da ditadura.

As sequelas provocadas, como problemas ortodônticos, por exemplo, perduraram por anos. Em seu depoimento, Dilma Rousseff diz que os interrogatórios a fizeram encarar a "morte e a solidão".

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