'Saio revigorado', diz Serra após derrota

Tucano pede 'vigilância', defende 'manutenção dos avanços' da gestão do prefeito Gilberto Kassab e afirma que fez uma 'campanha limpa'

BRUNO BOGHOSSIAN, RICARDO CHAPOLA, GUILHERME WALTENBERG, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h02

O candidato derrotado na disputa pela Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), encerrou sua campanha com um discurso no qual indica que vai manter suas atividades na política. Apesar de abatido, o tucano disse que sai "revigorado" da eleição municipal e com ideias renovadas "a respeito da cidade e do Brasil".

"Me empenhei para levar nossa palavra aos paulistanos no rádio, na TV e no contato pessoal fraterno em centenas de ruas. Foi esse contato que renovou, a cada dia, minha energia, minha disposição e minhas ideias a respeito da cidade e a respeito do Brasil. Saio revigorado", afirmou Serra no palanque do comitê de sua campanha, ontem à noite.

Aliados dizem que o tucano deve manter atividades políticas, mas acreditam que ainda é cedo para discutir se ele buscará uma função de líder no PSDB ou voltará a disputar um cargo eletivo. Serra deve procurar o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para começar a trilhar seus caminhos nos próximos meses.

Em um pronunciamento curto após o fim da apuração, o tucano desejou "sorte" ao vencedor da disputa, Fernando Haddad (PT), e defendeu as realizações de governos que tiveram sua participação em São Paulo.

"Os últimos anos registraram avanços e conquistas importantes na cidade pelas ações da Prefeitura e do governo", afirmou Serra, que foi prefeito (2005-6) e governador (2007-10). "Espero que sejam mantidas e aperfeiçoadas, e que não haja retrocesso."

Serra chegou às 20h45 ao comitê de sua campanha, no Edifício Joelma, no centro da cidade, e discursou por pouco mais de 5 minutos. O tucano foi aplaudido quatro vezes por militantes. Ao fim do pronunciamento, cumprimentou aliados e deixou o auditório em silêncio.

O tucano fez um agradecimento aos 2.708.768 eleitores que o apoiaram, o que representa 44,43% dos votos. Ele reconheceu a derrota ao afirmar que decisão da população é soberana. "As urnas falaram e as urnas são soberanas. Desejo de público boa sorte ao prefeito eleito."

Serra cobrou de Haddad a realização de promessas feitas durante a campanha e pediu o engajamento da população para cobrá-las a partir do ano que vem.

Segundo ele, a campanha tucana "defendeu a ética na vida pública", e foi "limpa, propositiva, com ideias novas".

Fator Kassab. A ala da campanha de Serra mais alinhada ao governador Geraldo Alckmin atribuiu a derrota do tucano à má avaliação do prefeito, Gilberto Kassab (PSD), que o apoiou.

"A campanha enfrentou adversidades no 1.º turno. Eram sete candidatos criticando a gestão e não conseguimos mostrar tudo o que foi feito na cidade", disse o coordenador da equipe de Serra, Edson Aparecido, secretário licenciado do governo Alckmin.

Também pesou sobre o candidato do PSDB sua renúncia à Prefeitura, em 2006, para disputar o governo do Estado. "Tentamos explicar que foi um movimento para manter uma política estadual, mas não conseguimos. E os adversários exploraram isso", completou Aparecido. "Enfrentamos duas rejeições."

Para o coordenador da campanha de Serra, os ataques do candidato a políticos do PT envolvidos no escândalo do mensalão foram ineficazes para capturar novos eleitores. Aparecido também lamentou a polêmica sobre o kit anti-homofobia, o chamado "kit gay", que teria feito a campanha "patinar" por uma semana no 2.º turno.

Renovação. Líderes do PSDB paulistano discutiam ontem propostas de renovação do partido na cidade. Aparecido defendeu a revitalização da sigla. "O partido é muito cartorial, mas temos que ter um partido com vida. Precisamos de gente nova para dar musculatura", disse o coordenador.

Segundo vereador mais votado de São Paulo, o ex-ministro Andrea Matarazzo (PSDB) assumiu o papel de oposição ao prefeito eleito e disse esperar que Haddad não seja um "fantoche" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vamos torcer para Haddad não virar um subprefeito de Lula", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.