Saída para os desafios é 'saber como mudar'

Para Juan Luís Cebrián, de 'El País', informação passa por uma revolução tão profunda quando a trazida por Gutenberg

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2012 | 03h02

O que se vê hoje no mundo não é uma revolução de internet, é uma grande virada, tão profunda quanto a de Gutenberg ao inventar a imprensa. Para sobreviver, é preciso entender que o negócio não é mais mídia, é tecnologia. O que vem pela frente não é um novo modelo, serão muitos modelos - e a tarefa das empresas é saber como mudar.

Esse conjunto de ideias foi apresentado ontem, em São Paulo, por dois experientes analistas da mídia mundial: o presidente do diário espanhol El País, Juan Luís Cebrián, e o professor e jornalista brasileiro Rosental Calmon Alves, da Texas University. Eles fizeram o painel "Jornalismo: qual o modelo sustentável do futuro?", no segundo dia da 68.ª Assembleia-Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). O moderador foi Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo.

A crise econômica mundial, afirmou, "misturou-se com a crise do modelo de imprensa". Sua fala foi ilustrada por uma enxurrada de números e gráficos sobre o futuro da informação. Ele revelou, por exemplo, que são emitidos por dia 294 bilhões de e-mails e transmitidas 250 milhões de fotos. Os endereços de internet chegarão aos 5 bilhões até o ano 2020. Como controlar o uso de tantos textos, fotos e vídeos? No El País, a solução foi "criar um produto global, onde todos trabalham para todos os meios". A estratégia, agora, "é saber usar a tecnologia para melhorar a técnica investigativa".

Mais otimista, Calmon Alves avisou: "É preciso entender que saímos de um ecossistema de escassez para um ecossistema de fartura". Ele deu ao novo ambiente de informação o nome de "socialnomics".

Na sua fala não faltaram, também, dados desafiadores. "Um professor de Física do MIT tem, via rede, um milhão de alunos", avisou. O que se vê, segundo ele, " é o esgotamento de um modelo que sustentava o setor (de jornais)". Mas ele pondera que "a crise não é o fim do jornal nem do jornalismo. O contador de história é eterno". Mas avisou: "É preciso saber se transformar para sobreviver".

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