Saída de Erundina da chapa de Haddad surpreende petistas do governo

Ministros da presidente Dilma não apostavam na desistência da deputada e agora contam com ação de Lula para definir rumos da campanha em SP

Tania Monteiro e Leonêncio Nossa

20 de junho de 2012 | 14h36

RIO - A desistência da deputada federal Luíza Erundina (PSB) de participar da disputa à prefeitura de São Paulo, como vice, ao lado do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, pegou de surpresa a cúpula petista do governo. Ministros que acompanham a presidente Dilma Rousseff na viagem ao Rio de Janeiro, onde ela participa da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, foram unânimes em mostrar surpresa com a decisão de Erundina e asseguraram que, a exemplo do que disse Haddad, "não existe plano B, pelo menos por enquanto", para substituí-la. Um dos ministros reconheceu, no entanto, que é preciso que a substituição de Erundina seja bem rápida, para evitar maiores desgastes à candidatura Haddad.

Ainda na tarde desta quarta-feira, 20, antes de ir para o Riocentro, a presidente Dilma Rousseff recebe, no hotel Windsor Barra, onde está hospedada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema sucessão na prefeitura de São Paulo e os estragos provenientes da aliança com Maluf que resultou na saída de Erundina, certamente serão abordados, ainda que informalmente. Todos estão no aguardo do movimento que Lula fará para saber a direção a ser tomada na campanha. Mas auxiliares da presidente consideraram que a desistência de Erundina, em represália ao acordo selado com Paulo Maluf, será um baque na campanha de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo.

O ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Fernando Pimentel, que estava no hotel Windsor, evitou comentar o episódio. "Este é assunto dos paulistas e eu sou mineiro", desconversou, brincando.

De acordo com um dos ministros ouvidos pela reportagem, não era esperada essa reação de Luíza Erundina. Até o início da noite dessa terça, 19, todos achavam que a deputada, apesar de descontente, não deixaria a chapa e acabaria se entendendo com Haddad, apesar de Maluf. Achavam que as críticas iniciais estavam registradas e que, aos poucos, ela absorveria a necessidade da aliança, em função do tempo de TV e do eleitorado que ele representa.

Nessa terça, 19, o ministro-chefe da Secretaria Geral, tentou justificar a necessidade da aliança com Maluf , alegando que "daqui a pouco isso vai estar diluído na campanha e esta questão vai ser superada muito rapidamente". Gilberto Carvalho justificou ainda que essa aliança com Maluf teria um impacto inicial, mas que seria logo superado. Para o ministro, "não dá para dizer que Maluf é um exemplo só do mal". "Ele tem um trabalho em São Paulo também, tem uma base que tem de ser respeitada." E emendou: "Não podemos subestimar o Maluf e precisamos levar em conta que ele tem uma grande base em São Paulo."

Pouco antes, em entrevista durante a Rio+20, Carvalho explicou que a aliança com o PP de Paulo Maluf apenas repete a ligação que já existe no governo federal. "Não estamos cometendo nenhuma heresia do ponto de vista da política", declarou. "Nós não estamos abrindo mão de uma vírgula do nosso programa de governo e não houve nenhuma imposição por parte do PP para nos apoiar. Se houvesse alguma coisa programática, aí sim seria uma incoerência." Para Carvalho, "o importante é quem está dando o tom e neste caso de São Paulo é a candidatura do Fernando Haddad, a semelhança do programa o governo federal". Mas o fato é os petistas estão com muita dificuldade de explicar esta aliança com um inimigo histórico do partido.

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