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Saboia diz que falta moral a quem critica ação militar contra Estado Islâmico

Diplomata que organizou fuga de senador da Embaixada do Brasil em La Paz reage à crítica de Dilma sobre ofensiva americana

Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2014 | 20h15



O diplomata Eduardo Saboia reagiu nesta quinta-feira, 25, no Facebook à crítica feita na véspera pela presidente Dilma Rousseff à ofensiva militar comandada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico. Por volta das 18 horas, ele escreveu: "Pergunta que não quer calar: Quem se omitiu 455 dias num caso de asilo que lhe dizia respeito diretamente tem moral para criticar os esforços (mesmo que canhestros e insuficientes) para conter a barbárie na Síria?"

Saboia ficou conhecido por organizar e efetivar a fuga por terra do senador opositor Roger Pinto da Embaixada do Brasil em La Paz, em agosto do ano passado, sem autorização do Itamaraty. O caso levou à demissão do chanceler Antonio Patriota, substituído por Luiz Alberto Figueiredo. Dilma considerou a iniciativa uma quebra de hierarquia.


O boliviano ficou 455 dias na representação brasileira, à espera de um salvo-conduto. Ele alega sofrer perseguição desde que denunciou a ligação de traficantes com a administração de Evo Morales. A Justiça boliviana tem contra o senador quatro ordens de prisão e um mandado de apreensão. Ele é acusado de corrupção. Saboia, então encarregado de negócios da missão brasileira, assumiu responsabilidade pela fuga, alegando "razões humanitárias". A viagem de 22 horas até Corumbá (MS) teve só uma parada. 

O Brasil não tem ainda embaixador em La Paz, já que a Comissão de Relações Exteriores se recusa a aprovar a indicação de Raymundo Rocha Magno até ter garantias de que Saboia não será punido. Ao lado da crítica a Dilma, Saboia publicou no Facebook uma passagem bíblica: "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?".

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