'Sabíamos do risco de perder o ministério com Haddad candidato', diz senador

Senador critica briga por cargos e diz que reforma ministerial dependerá do que quer a presidente, não os seus aliados

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2011 | 03h01

BRASÍLIA - Apontado como voz dissonante no PT, o senador Walter Pinheiro (BA) defende que o partido está bem representado no governo Dilma Rousseff e não precisa ganhar mais espaço na próxima reforma ministerial. Para ele, a presidente não tem obrigação de manter o PT no Ministério da Educação, que ficará vago com a saída de Fernando Haddad para disputar a Prefeitura de São Paulo.

 O PT deve aumentar seu espaço na reforma ministerial?

Está muito bem representado. Não precisa de mais ministérios. Nem o PT nem partido nenhum podem, neste momento, rediscutir espaço. As pessoas estão pondo o carro na frente dos bois. A reforma tem que acontecer a partir do que a presidente pensa e não do que o meu partido quer. Os partidos devem puxar o freio de mão e aguardar a decisão da presidenta.

 Mas há um movimento no PT para ampliar esse espaço.

Tem uma crise de um ministro, aí fica todo mundo querendo saber como vai ser a redistribuição dos cargos embaixo. Isso não é a pauta do governo. É o tipo de debate que atrapalha.

Mas não é o que os aliados e o PT estão fazendo?

Os ministérios não foram com "porteira fechada". A presidente não vai se submeter a isso. Já imaginou que ela faz uma reforma do ministério e entrega para cada partido fazer seu loteamento? Ela não vai governar, vai ficar refém.

Marta Suplicy desistiu de sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em favor de Haddad. Ela deve ser compensada?

Não tem que ter compensação para ninguém. Marta é uma senadora eleita. Foi o PT que fez a avaliação de tirar uma pessoa que está no ministério para ser candidata. Não foi a presidente Dilma. Então, ela não tem compromisso de usar essa vaga para compensar alguém do PT. Pode até ser que o ministério continue com o PT. Mas o PT sabia do risco de não manter mais o ministério quando decidiu que o Haddad seria candidato. Dilma não tem obrigação de manter o ministério com o PT.

Houve recuo da presidente nas 'faxinas' nos ministérios?

Não houve recuo nem um processo deliberado. A presidente enfrentou circunstâncias que a levaram a tomar a atitude que tomou. No caso Palocci, as coisas foram acontecendo e ela foi tomando decisões. No caso dos Transportes, ela achou por bem tomar uma atitude de reformular e mexer na estrutura.

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