Sabatina Estadão: Kassab nega reajustar tarifa de ônibus

O prefeito da capital paulista e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), disse hoje que não aumentará a tarifa de ônibus, atualmente em R$ 2,30, até 31 de dezembro de 2009. Contudo, admitiu que a planta genérica da cidade será atualizada, o que resultará em aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) pago pelos proprietários de imóveis. "Ano que vem não teremos aumento de tarifa de ônibus, isso graças à boa saúde financeira da Prefeitura, que minha antecessora (Marta Suplicy, do PT) não foi capaz de fazer", afirmou, durante sabatina no Grupo Estado."A planta genérica está ligada ao crescimento da economia. É atualizada anualmente e essa atualização é necessária. Evidente que vou fazer", afirmou, em referência ao aumento dos valores de IPTU. "Alguns bairros são valorizados quando recebem uma linha de Metrô. Todos sabem o quanto o Metrô valoriza um imóvel. (Não aumentar o IPTU) seria privilegiar a especulação imobiliária." Questionado se a situação de quando assumiu era pior do que Marta recebeu quando o ex-prefeito Celso Pitta deixou a Prefeitura, ele respondeu: "Eu não diria isso, até porque ela teve alguns avanços. Alguns aspectos de sua gestão ampliamos e melhoramos. Ela fez os CEUs (Centros Educacionais Unificados), que eu continuei. Fiz mais CEUs que ela, até melhores".Apesar do elogio, Kassab voltou a dizer que Marta deixou a cidade em uma situação financeira ruim. "Era uma situação quase de calamidade e conseguimos enfrentá-la. Faltou à sua gestão capacidade para enfrentar adversidades e apresentar soluções", declarou. "Tenho convicção de que saúde, ensino público e trânsito, por exemplo, estão melhores hoje." Kassab, que ainda não apresentou um plano de governo, disse que ele será apresentado nos próximos dias e que terá características de continuidade da sua gestão.PSDBAo ser questionado sobre se o racha no PSDB favorecia sua candidatura, Kassab evitou entrar em polêmica. Disse que se relaciona muito bem com o governador José Serra - "política, administrativa e pessoalmente" - e admitiu que o racha é um fato concreto, depois de anos de aliança entre democratas e tucanos. "Seria natural a apresentação de chapa em conjunto na cidade, mas é um fato consumado, não foi possível", afirmou. "Estou muito confiante, a gestão é muito bem avaliada, não é possível que não tenha chances de ir para segundo turno. Esperamos estar juntos no segundo turno", acrescentou.Ao falar sobre o funcionalismo público, Kassab disse que sua gestão está valorizando os servidores e que eles estão "motivados". "Em quatro anos não foi possível fazer tudo, mas posso dizer que o funcionalismo hoje confia muito na nossa gestão. Trinta anos de descaso não podem ser corrigidos de uma hora para outra", declarou. DívidaO candidato do DEM afirmou também que já está conversando com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que a capital possa ter um teto maior de endividamento, o que permitiria investimentos em áreas prioritárias, como a ampliação do Metrô. Kassab defendeu que a cidade tenha um tratamento igual ao que é dado aos Estados e que permite que a relação entre dívida e receita líquida seja de até 2 vezes, enquanto que para os municípios o teto de endividamento é de 1,2 vezes a receita líquida correnteDe acordo com o prefeito, as conversas com o presidente Lula e integrantes do governo federal já estão adiantadas e contam com o apoio do governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Para que essa relação seja mudada, seria necessária aprovação do Senado Federal. Isso porque embora tenha sido a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que tenha determinado a fixação de teto para o endividamento do setor público, foi o Senado quem regulamentou a questão, fixando que a dívida dos Estados não ultrapasse duas vezes a receita corrente líquida anual. Apesar do teto para todos os municípios, incluindo São Paulo, ser de 1,2 vezes a receita líquida corrente, a relação atual do endividamento da capital é de 1,86 vezes. Na avaliação de Kassab, nem daqui a muitos anos a cidade conseguirá atingir a relação de 1,2 vezes exigida por lei.Durante a sabatina, o prefeito e candidato à reeleição disse que o diálogo com o presidente Lula, para que a cidade de São Paulo seja enquadrada nas mesmas regras dos Estados, "tem sido permanente". Ele citou que a cidade paga todo mês cerca de R$ 200 milhões (em dívida) e sua proposta é que o governo federal invista esse montante no Metrô e exija contrapartida de investimentos (de um terço desse valor) da Prefeitura e do governo do Estado. "Serra está de acordo e a Prefeitura está preparada para assumir este compromisso, acredito que seria algo muito positivo para a cidade e poderíamos dar um investimento permanente no Metrô paulista", reiterou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.