Tiago Queiroz / Estadão
Tiago Queiroz / Estadão

Russomanno tem carros e imóveis bloqueados pela Justiça desde 2016

Candidato questiona dívida na Justiça, alegando que assinatura em contrato foi fraudada; perícia será realizada em dezembro

Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 05h00

Candidato à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) está com dois carros e um imóvel em Itanhaém, no litoral paulista, penhorados pela Justiça desde 2016. O bloqueio dos bens deve persistir enquanto não chega ao fim um processo em que um advogado cobra do deputado federal uma dívida de aluguel que chega a R$ 7 milhões. 

Ao questionar a dívida, Russomanno alegou que a assinatura dele e da esposa foram forjadas no contrato de aluguel do imóvel alugado, onde funcionou o Bar do Alemão, em Brasília, de que o deputado foi sócio. Russomanno e a mulher aparecem como fiadores do contrato, com firma reconhecida em cartório.

“É um argumento baixo ele alegar que a assinatura do contrato de aluguel foi forjada quando ele foi também o sócio-administrador do Bar do Alemão”, afirmou ao Estadão o advogado André Silva da Mata, único representante da Construcen Administração Condominial, que cobra a dívida de Russomanno. Segundo ele, o deputado não reclamou da fraude enquanto o estabelecimento estava aberto.

A alegação de que as assinaturas foram forjadas pode ser confirmada ou desmentida por uma perícia, marcada pela Justiça para o início de dezembro. O procedimento deveria ter sido realizado no fim do ano passado, mas a perita não cumpriu os prazos estabelecidos pelo juiz e foi destituída no mês passado.

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Em nota divulgada à imprensa, representantes do deputado informaram que ele era proprietário de 30% do Bar do Alemão. A nota diz ainda que, no entendimento da Construcen, são devidos cerca de R$ 7 milhões – valor que também é citado por André Silva da Mata. 

Por outro lado, a nota alega que o  valor devido é menor que o preço dos  equipamentos, máquinas e móveis deixados no imóvel pela empresa de Russomanno.  Em cálculo que a advogada de Russomanno, Fernanda Gadelha de Araujo Lima, enviou à Justiça em 2018, porém, os equipamentos do restaurante estavam orçados em R$ 2,5 milhões - abaixo da dívida de aluguel. A Construcen ofereceu este ano  abater esse valor auditado do total que cobra. 

A nota do deputado diz, ainda, que houve acordo entre as partes e que isso teria desfeito a penhora, coisa que Mata nega. “Sou o único advogado da Construcen e nunca houve acordo nenhum”, disse. 

Durante agenda de campanha anteontem, Russomanno disse que pagou “todos os valores” devidos em seus negócios. “Todos (os valores) foram pagos. Me aponta um que não foi pago. Me aponta um, por favor. Se você conseguir apontar um, eu abro mão da minha candidatura”, afirmou a repórteres. “Existe uma falsificação da assinatura da minha mulher”. 

O Bar do Alemão funcionou sem pagar aluguel entre março de 2015 e junho de 2016. Na última campanha eleitoral para a Prefeitura, o Estadão mostrou que o Tribunal Regional do Trabalho do Distrito Federal tinha ao menos cinco processos de funcionários que cobravam dívidas trabalhistas.

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