'Russomanno pode ser vice do Alckmin ou do PT em 2014'

Marcos Pereira afirma que ex-deputado deverá se candidatar a um cargo majoritário, mas o ideal é que encabece uma chapa

Entrevista com

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2012 | 02h03

O presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, esteve no centro da eleição municipal deste ano ao coordenar a campanha do ex-deputado Celso Russomanno, que liderou a corrida pela Prefeitura de São Paulo na maior parte da disputa. O candidato, no entanto, perdeu fôlego no fim da campanha e acabou em terceiro lugar, atrás de Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB). "Não tivemos fôlego financeiro, nem tempo de TV, nem estrutura para combater o tamanho dos outros dois (PSDB e PT) que foram ao segundo turno", avalia hoje Pereira, em entrevista ao Estado.

Mas o partido pretende lançar Russomanno de novo, em 2014, provavelmente para um cargo majoritário: governador ou vice-governador. "A priori, a gente gostaria que ele saísse encabeçando a chapa que for." Russomanno pode ser candidato a vice de Alckmin, que tentará a reeleição? "Pode. Como poderá também ser o candidato a vice do PT, ou candidato a vice, por exemplo, numa chapa do PSD (de Gilberto Kassab). Tudo isso nós vamos discutir."

Liderando um partido que flerta tanto com tucanos quanto com petistas, Pereira, advogado, integrante da Igreja Universal do Reino de Deus e ex-vice-presidente da Record, afirma: "Se a eleição fosse hoje, o melhor para o Brasil seria a reeleição da Dilma (Rousseff), e o melhor para São Paulo seria a reeleição de Alckmin". Leia abaixo a entrevista.

Qual balanço o sr. faz da eleição municipal deste ano?

Foi a segunda eleição municipal na história do partido. O PRB tem sete anos, então é a quarta na história, mas a segunda municipal. Na primeira, em 2008, o partido elegeu 54 prefeitos e 780 vereadores. Agora, em 2012, elegeu 79 prefeitos e 1.204 vereadores. Além disso disputamos a eleição na cidade mais importante do País (São Paulo), o que trouxe uma projeção muito boa para o nome do partido.

A que o sr. credita esse crescimento?

A um planejamento. Quando assumi a presidência em maio do ano passado, lancei um desafio para os presidentes estaduais que estavam presentes, que era trabalharmos para dobrarmos o número de prefeitos e vereadores em 2012. Não conseguimos dobrar, mas crescemos mais de 50%. Quando você lança o desafio, lança uma meta, então todo mundo trabalha em cima daquilo.

Qual a meta para 2014?

Para 2014, será principalmente eleger deputados federais porque a regra do Brasil é que o partido é medido pelo tamanho de deputados que elege. Isso determina o tempo de televisão, o fundo partidário e a participação nas comissões na Câmara. Então, a nossa meta é elegermos 15 ou 16 deputados. Em 2010, elegemos 8. Em 2006, 1.

Russomanno terá um papel de puxador de voto?

Temos discutido com o Celso. Vamos fazer uma pesquisa. O bom mesmo é ganhar, mas o resultado da eleição em São Paulo foi positivo para o tamanho, idade e dimensão do partido. O próprio Celso foi bem, no sentido de que o nome dele foi muito mais projetado, o capital político dele aumentou muito. Então, o que nós temos discutido é que em 2014 vamos fazer pesquisas, e as pesquisas apontarão para o que ele vai concorrer. O martelo não está batido ainda, não.

Mas a ideia é lançá-lo para o governo do Estado?

Poderia ser governador, senador. Pode ser, obviamente, deputado federal ou vice-governador. A priori, a gente gostaria que ele saísse encabeçando a chapa que for. Federal seria a última opção, aí sim como puxador de votos, mas não é essa nossa preferência hoje. Obviamente, vamos analisar as pesquisas na época para tomar a decisão.

O sr. tem mantido contatos com o governador Geraldo Alckmin sobre a eleição de 2014. Ele poderia ser vice do PSDB?

Ele pode ser candidato a vice do Alckmin? Pode. Como poderá também ser o candidato a vice do PT, ou candidato a vice, por exemplo, numa chapa do PSD (de Gilberto Kassab). Tudo isso nós vamos discutir. Ele pode ser candidato a vice de qualquer candidato que tenha chance ou que ele possa somar com o capital político, que possa ajudar. Mas é uma coisa que vamos discutir mais para a frente. Vice não é nossa preferência, não. Está muito longe 2014.

O sr. acha que Russomanno ainda tem capital político? Ele perdeu muita musculatura eleitoral na campanha, quando demonstrou propostas frágeis, deficiências na equipe...

Aquilo ali foi uma conjuntura do momento. O eleitor queria mudança, queria algo novo. Mas não tivemos fôlego financeiro, nem tempo de TV, nem estrutura para combater o tamanho dos outros dois (PSDB e PT) que foram ao segundo turno. Se estivermos bem nas pesquisas e conseguirmos uma aliança que dê musculatura de tempo de TV e partidária, é perfeitamente possível disputar uma eleição majoritária.

Com ele na cabeça de chapa?

Se a gente conseguir reunir essa estrutura, acho perfeitamente possível. Ali foi falta de estrutura, não foi culpa dele. Houve deficiências pessoais, mas isso se corrige ao longo do tempo.

Quais deficiências?

Não gostaria de falar, são coisas que discuto com ele pessoalmente.

O PRB, portanto, faria aliança com o PT ou o PSDB. Isso não deixa o partido, que é novo, com vícios antigos como os do PMDB?

Temos que avaliar o que é melhor para o Estado e para a sociedade como um todo. Se a eleição fosse hoje, o melhor para o Brasil seria a reeleição da Dilma (Rousseff), e o melhor para São Paulo seria a reeleição de Alckmin. Essa é a minha opinião pessoal. Na época, vamos consultar os candidatos e discutir isso com eles. Temos que avaliar um projeto que seja interessante também para eleger essas figuras.

Não há um excesso de pragmatismo político no PRB?

Não saberia dizer se é um pragmatismo político. A gente tem que avaliar o que é melhor para o local e para o Brasil. A minha avaliação é essa no cenário de hoje. Até 2014 muitas coisas podem acontecer na gestão estadual e na gestão federal que podem mudar essa opinião.

O partido é uma legenda de direita, esquerda ou centro?

Estou me lembrado do Kassab (que afirmou que o seu PSD não era de centro, nem de esquerda nem de direita). É um partido de centro, mais voltado para a esquerda. Uma leve tendência para a esquerda.

O que é a tendência para a esquerda?

É uma vocação de atender o trabalhador. A direita é mais voltada para o capital. O PRB para o trabalho. Mas é de centro.

Na eleição, o sr. falou que não existia relação da Igreja Universal com o partido. Disse que havia uma minoria evangélica, e uma menor ainda da Universal. Mas quem manda, a cúpula do partido, é da Universal. Tem como dissociar uma coisa da outra?

Se você entender que eu, porque sou da Universal, isso contamina a relação com o partido, está correta sua análise. Sou um membro da Universal, mas sou também professor de Direito. Será que a Universal influencia minhas aulas de Direito? É lógico que não. Não interferiu, não interfere e não interferirá na condução do partido. É só você perguntar para as pessoas que têm convivido conosco, que não são da Universal. Você vai ter como resposta não. Portanto, é lamentável que se faça essa associação porque uma ou outra pessoa do partido é da Igreja Universal.

Mas a igreja fez campanha para Russomanno.

Não, ela não fez campanha pro Russomanno. O Russomanno em momento algum esteve nos cultos da igreja, como esteve no de outras. O que acontece é que vereadores que foram candidatos, apoiados pela igreja, fizeram campanha na porta da igreja e acabaram fazendo propaganda do Russomanno. Ele foi visitar eventos com pais de santos, outras igrejas evangélicas, várias missas...

O PRB pretende ingressar no governo Alckmin em 2013?

Nós conversamos com o governador antes do processo eleitoral. Já tinha tido uma conversa em janeiro, um almoço no palácio. Disse que temos quadros e que podemos colaborar com o bom desempenho dele em determinadas áreas e que teríamos nomes. Depois disso, conversamos algumas vezes, mas não tem nada certo, formalizado.

Mas se o PRB entrar, vai apoiar a reeleição de Alckmin?

Tudo isso vamos discutir quando sentarmos para avaliar essas questões. É meio natural que isso possa acontecer. Ou que isso se coloque na mesa. Mas não colocamos esses detalhes.

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