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Russomanno muda tom sobre Bilhete Único de Haddad

Sem usar imagem de petista, inserção bate na renúncia à Prefeitura, mas não cita nomes

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2012 | 03h09

Um dia depois de o candidato à Prefeitura de São Paulo José Serra (PSDB) garantir na TV que vai cumprir todo o mandato se for eleito, a campanha do petista Fernando Haddad veiculou ontem uma propaganda criticando o abandono da administração municipal pelo tucano em 2006, quando Serra resolveu concorrer ao governo do Estado.

"Sabe aquele candidato que abandonou a Prefeitura no meio do mandato? Que deixou um vice para tomar conta da cidade? E que tem costume de pular de galho em galho? Está aí mais uma vez, querendo se passar pelo novo", diz o comercial de 30 segundos de duração.

A inserção traz imagens de uma vitrola antiga, cuja agulha começa a arranhar o som. É a deixa para o narrador dar seu recado: "Está na hora de mudar de música". Surge então um tablet na tela e começa a tocar o jingle de Haddad, que diz que ele é "um homem novo pra essa cidade". O nome de Serra não chega a ser citado. O petista também não aparece na peça.

'Meio mandato'. A campanha de Haddad já havia criticado Serra por esse motivo. Em seu programa de estreia no horário eleitoral na TV, o candidato repetiu por duas vezes que a cidade de São Paulo estava "cansada de prefeitos de meio mandato". Um comercial com o mesmo mote foi veiculado diversas vezes nos dias seguintes.

No horário eleitoral do rádio, coube ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva alfinetar o tucano. No primeiro dia de propaganda, Lula afirmou, de maneira indireta, que na disputa havia um prefeito que não gostava de cumprir o mandato. "Não sei por que quer ser prefeito de novo", disse o ex-presidente. "Talvez para perder", provocou.

Rejeição. A saída de Serra da Prefeitura em 2006, um ano e três meses após tomar posse, é considerada um dos principais componentes que elevam o índice de rejeição do tucano. Segundo a última pesquisa Datafolha, 43% dos paulistanos afirmaram que não votariam nele para prefeito de jeito nenhum.

Anteontem, Serra abordou o tema de forma direta pela primeira vez no horário eleitoral. Na TV, disse que achava natural os eleitores terem dúvidas quanto à sua permanência no cargo e garantiu que, desta vez, iria "cumprir o mandato inteiro".

"Vira e mexe me perguntam na rua: 'Ô Serra, se você ganhar, você vai ficar os quatro anos?' Eu vim aqui hoje para esclarecer essa questão", afirmou o tucano na propaganda.

No depoimento, ele também criticou a gestão de sua antecessora, a petista Marta Suplicy (2001-2004). "Em 2005, quando assumi, encontrei a Prefeitura falida", diz, destacando que foi o responsável por colocar as "finanças em ordem".

Desde a semana passada, o tucano vinha dando sinais de que adotaria esse tom de discurso na propaganda eleitoral para tentar reverter a queda nas pesquisas de intenção de voto. Na sexta-feira, em entrevista à TV Estadão, Serra já havia afirmado que não abandonaria o mandato em 2014, nem para concorrer à Presidência. "Eu não vou de novo para presidente porque já fui duas vezes. Tem muita coisa para ser feita em São Paulo."

Crítico do Bilhete Único Mensal, uma das principais propostas de campanha de Fernando Haddad (PT) na disputa pela Prefeitura em São Paulo, o candidato do PRB, Celso Russomanno, mudou de tom. No mesmo dia em que foi cobrado pelo petista por não conhecer as finanças municipais, o ex-deputado disse que adorou a ideia de Haddad. O ex-deputado, no entanto, negou desconhecimento.

"Não (demonstrei desconhecimento das finanças). Adorei a ideia. Se for viável, eu sou o primeiro a adotar. Só pedi para que ele me apresentasse um estudo de viabilidade. E volto a repetir: se houver um estudo de viabilidade e for possível, eu sou o primeiro a fazer, sem problema nenhum", declarou o candidato ontem durante visita ao Mercado Municipal do Ipiranga, na zona sul da capital paulista.

Há menos de um mês, Russomanno criticava com vigor o Bilhete Único Mensal. Chegou a dizer que seu partido não trabalhava com "obras faraônicas". Na época, disse que o projeto estava além das condições financeiras da cidade. / RICARDO CHAPOLA

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