Russomanno diz acreditar na absolvição pelo STF e se irrita ao ser questionado sobre a Universal

Em sabatina, ele ainda tentou se afastar da imagem de Cunha e atacou altos custos da última campanha de Fernando Haddad

Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2016 | 12h15

Líder nas pesquisas de intenção de votos à Prefeitura de São Paulo, o deputado federal Celso Russomanno (PRB) disse estar tranquilo que será absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo em que é acusado de peculato e já foi condenado em primeira instância pelo uso, entre 1997 e 2001, de uma funcionária da Câmara dos Deputados em sua produtora de vídeo, a ND. Ele participou de sabatina realizada pelo portal UOL, o jornal Folha de S. Paulo e o SBT na manhã desta sexta-feira, 29,

"Só em abril de 2001 foi criada uma verba para que assessores dos deputados tivessem local para trabalhar nos estados e até então trabalhavam nos locais dos profissionais. Os deputados médicos tinham assessores no consultório, os advogados em escritórios e era uma constante para todo mundo", disse. "Existem 116 casos análogos ao meu e todos foram arquivados", completou.

Russomanno defendeu ainda o fato de assessores trabalharem no Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INDC), segundo ele uma Organização Não-Governamental (ONG) que atende gratuitamente consumidores e ainda tem o imóvel e outros custos pagos com o salário de deputado. "É uma entidade sem fins lucrativos que já atendeu 360 mil pessoas de casos que não foram judicializados.

O candidato se irritou ao ser indagado se teria em seu governo, caso seja eleito, membros da Igreja Universal do Reino de Deus, que controla seu partido. Russomanno disse, e repetiu algumas vezes, que não responderia à pergunta por considerá-la discriminação religiosa.

"Eu não vou responder pergunta discriminatória. A próxima. Eu não vou discutir religião", afirmou o deputado, que indagou aos entrevistadores se sabiam qual a religião dos ministros do governo do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), bem como dos secretários municipais de São Paulo. Ele foi lembrado que um dos ministros de Temer, Marcos Pereira, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, é bispo licenciado da Igreja Universal, presidente do PRB e ainda coordenou a campanha de Russomanno a prefeito em 2012. "E os outros?", indagou o deputado antes de reafirmar que não falaria sobre religião. Russomanno lembrou ainda que, apesar da ligação com evangélicos, é católico e que governará "para todos".

O candidato do PRB também procurou demonstrar distanciamento do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que irá votar pela cassação do parlamentar, "considerando que existem todos os motivos para que ocorra" e ainda lembrou que, como líder do PRB, indicou o relator do processo contra o ex-presidente da Câmara no Conselho de Ética, deputado Fausto Pinato, agora no PP.

Ataques ao Fernando Haddad. O deputado evitou comentar a proposta de financiamento privado de campanhas eleitorais, disse que as suas campanhas sempre são "humildes" e atacou o prefeito Fernando Haddad (PT), adversário político de Russomanno. "Quanto mais se complicam as eleições, menos transparentes ficam", disse. "Em 2012, eu gastei R$ 6,9 milhões e o atual prefeito R$ 66 milhões. De onde vem todo esse dinheiro?", indagou".

Russomanno disse também que Haddad "mentiu descaradamente" ao afirmar, durante a campanha de 2012, quando ambos também eram adversários, que ele pretendia aumentar a passagem de ônibus para os moradores de regiões periféricas da capital. Durante a sabatina, Russomanno explicou que sua proposta para esse modal de transporte coletivo não previa em 2012 e não prevê agora reajustes na tarifa, mas uma redução nos preços para moradores que utilizem ônibus foram dos horários de pico e em trechos mais curtos.

"Eu disse que quem andasse no bairro pagaria menos e que o valor máximo permaneceria. É uma proposta para se promover economia local, incentivar a periferia e evitar que a pessoa precise ir ao centro", disse. "O Haddad inventou uma história, ganhou a eleição (em 2012) e 30 dias depois aumentou a passagem. Como mentiu descaradamente, houve uma onda de quebra-quebra que se iniciou em São Paulo", emendou. A descentralização proposta pelo candidato seria completada, de acordo com ele, pela diminuição gradativa do Imposto Sobre Serviços (ISS) para empresas que pretendessem se instalar na periferia.

O candidato a prefeito afirmou que, caso seja eleito, irá manter o bilhete único mas disse que pretende acabar com fraudes no sistema, as quais não foram detalhadas por ele. "O Rio de Janeiro, por exemplo, adota reconhecimento de face que podemos adotar também aqui. Já o subsídio no transporte coletivo tem de existir", afirmou. "Não pretendo elevar as tarifas, mas melhorar a qualidade e descentralizar o transporte".

Uber. Ainda sobre mobilidade urbana, Russomanno classificou como "inconstitucional" e defendeu a revisão do Uber, serviço de carona por meio de um aplicativo concorrente dos táxis e regulamentado por Haddad. "Para esse tipo de transporte, mesmo que seja individual, o veículo tem de ter placa vermelha. Mas são veículos particulares, não poderiam fazer aluguel e os motoristas precisariam fazer cursos de capacitação", disse. "A regularização é inconstitucional e vou revê-la com certeza absoluta. Concorrência não pode ser desleal e predatória".

Russomanno, que é ciclista e diz ter 20 bicicletas, entre as próprias e de familiares, espalhadas em suas residências, criticou as ciclovias criadas durante a gestão Haddad e cobrou um estudo de impacto para a implantação do modal. Ele defendeu ainda a criação de estruturas, como biclicletários para promover a integração com outros meios de transporte.

O candidato prometeu ainda rever a redução nas velocidades máximas de veículos nas marginais do Tietê e do Pinheiros, outra medida do adversário petista, e retirar ambulantes das vias, bem como direcionar o tráfego de motocicletas de baixa cilindrada para as pistas locais, tirando-as das expressas. Já os corredores de ônibus seguirão mantidos pelo poder público, assim como o autódromo de Interlagos, e os complexos do Anhembi e do Pacaembu, de acordo com Russomanno.

O deputado completou as críticas a Haddad dizendo que não o vê ir a Brasília em busca de recursos federais e ainda criticou a discrepância entre metas do prefeito para área de Saúde e as previstas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Ele prometeu incentivar a medicina preventiva e ainda fiscalizar pessoalmente a presença de médicos nos plantões. "Não sou (sic) prefeito de gabinete, sou (sic) prefeito da rua e vou fiscalizar médicos que estarão de plantão", concluiu. 

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