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Russomanno chama taxistas para tentar explicar promessa

Encontro com categoria não foi divulgado pela campanha do PRB

RICARDO CHAPOLA, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h01

O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, realizou ontem um encontro com taxistas - não divulgado à imprensa - para tentar explicar uma promessa feita em público em agosto. No mês passado, Russomanno disse: "Vamos baixar a tarifa do táxi". Receoso da repercussão, ele ressaltou no encontro fechado de ontem com a categoria: "Qualquer coisa com relação à tarifa nós vamos discutir juntos".

É a segunda vez que Russomanno tenta explicar promessas feitas em público em reuniões setoriais fechadas. Na quarta-feira da semana passada, ele chegou a recuar de uma afirmação feita quatro dias antes. Numa agenda de campanha, disse que iria rever todos os contratos de segurança terceirizada da Prefeitura. Aos empresários do setor, em encontro acompanhado pelo Estado, o candidato, que lidera as pesquisas de intenção de voto, voltou atrás e disse que manterá tudo como está caso seja eleito em outubro.

Questionado no dia seguinte sobre a diferença do discurso que fez em público do discurso que fez em privado, Russomanno disse em entrevista à imprensa que a reportagem havia "interpretado mal" suas palavras.

O encontro de ontem com os taxistas também foi acompanhado pelo Estado. Russomanno iniciou o discurso à categoria dizendo que estava ali para colocar "em pratos limpos" a promessa sobre a redução da tarifa - baseada em subsídio a ser dado aos taxistas na compra de combustíveis.

"Qualquer coisa com relação à tarifa nós vamos discutir juntos", afirmou. O candidato do PRB também ressaltou que não "impõe medidas". "Fiz questão de vir aqui para que a gente ponha as coisas em pratos limpos. Eu dei uma ideia, que é a de baixar o preço da gasolina e discutir com vocês a redução da tarifa proporcionalmente", disse.

"Como eu poderia impor alguma coisa de cima para baixo? Dizem que vou baixar a tarifa do táxi de cima para baixo, sem ouvir sindicato. Isso é um absurdo. Eu não faço as coisas assim."

Russomanno afirmou ainda que há "inversão" em relação ao que ele fala e o que é publicado na imprensa. "Os boatos que saem por aí evidentemente são porque estamos bem nas pesquisas, porque temos falado a linguagem do povo. É muito fácil começar a inverter as coisas e plantar fofocas para desestruturar a campanha. Nós não vamos usar os taxistas para isso, de jeito nenhum", afirmou o candidato.

Outro ponto contestado pela categoria foi quanto à proposta de Russomanno de promover lotações aos taxistas, que entenderam que seriam obrigados a seguir o sistema. De acordo com a proposta do candidato, os motoristas de táxi fariam um cadastro no site da Prefeitura para que os cidadãos pudessem combinar viagens entre si. A intenção, afirmou Russomanno, é reduzir o fluxo de veículos nas ruas. Russomanno disse que só se cadastram os taxistas que quiserem.

"Nunca falei isso na vida (que os taxistas seriam obrigados a aderir). Eu falei que os taxistas que quisessem se cadastrar no site da prefeitura poderiam. É isso, quem quiser. Quem não quiser não faz, ninguém é obrigado. Mas é uma forma de evitar que mais carros estejam nas ruas."

O encontro de Russomanno com os taxistas foi articulado pelo coordenador político da campanha, o deputado estadual Campos Machado (PTB). Machado é correligionário do atual presidente do sindicato Natalício Bezerra, que manifestou apoio ao candidato José Serra (PSDB) na visita que o tucano fez à categoria no dia 5 de setembro.

Agenda pública. Ontem, Russomanno também assinou uma carta de compromisso do Programa Cidades Sustentáveis, na agenda que foi divulgada por sua assessoria de imprensa. No debate promovido pelo Estado, o candidato do PRB foi questionado pelo adversário Gabriel Chalita (PMDB) do motivo pelo qual não havia assinado o termo. O candidato do PRB disse na ocasião que teve problemas com a agenda, mas afirmou que já negociava sua visita "há mais de um mês". "É falta de agenda. Quando a gente está bem nas pesquisas, a agenda fica extremamente carregada. Está difícil para mim", afirmou ele no debate.

Russomanno também foi questionado sobre 0s ataques feitos ontem por Serra. O tucano criticou as propostas do líder das pesquisas, classificando-as de irreais e dizendo que Russomanno é despreparado para administrar a saúde de São Paulo. "Quem não sabe o que está falando não sou eu", disse Russomanno.

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