RICARDO GALHARDO/ESTADÃO
RICARDO GALHARDO/ESTADÃO

Roupas sociais e leitura da Bíblia

Segundo amigos de igreja, agressor de Jair Bolsonaro era conservador e religioso e passou a se interessar por política após escândalo do PT, em 2005

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2018 | 05h00

ENVIADO ESPECIAL / MONTES CLAROS (MG) - Um homem conservador, religioso, avesso a bebidas e drogas, defensor da família e dos valores cristãos. É assim que frequentadores da Igreja Missionária Resplendor da Gloria de Deus, em Montes Claros, se recordam de Adelio Bispo de Oliveira, autor da facada no candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Adelio foi frequentador e pregou o Evangelho durante mais de duas décadas na pequena Igreja, um salão de alvenaria com bancos feitos com retalhos de madeira sobre a laje da casa da pastora no bairro Dr. João Alves, em Montes Claros (MG).

Ao longo da semana, o Estado conversou com diversos integrantes e vizinhos da Igreja que não quiserem se identificar por medo de represálias.

Segundo eles, Adelio teria um comportamento exemplar até maio de 2005, quando explodiu o escândalo do mensalão. “Foi ali que o Adelio veio com essa conversa de política. Ele reclamava muito da corrupção”, disse P.S., de 42 anos.

Naquela época, ele falava em ser candidato a deputado, mas dizia que nenhum partido se adequava à sua ideologia.

De acordo com os amigos da Igreja, o homem que esfaqueou Bolsonaro era vaidoso, só vestia roupas sociais e recusava presentes que não se adequavam ao seu estilo, detestava fofocas e palavrões. Adelio também gostava de exibir o conhecimento sobre a Bíblia e assuntos em geral, sempre em português impecável.

Nas vindas a Montes Claros, ele contava histórias sobre os empregos e cidades por onde passou: pedreiro, garçom, lavrador e até camareiro em um navio.

Em Uberaba, chegou a ficar noivo de uma policial militar. “Depois do noivado, ela casou com outro. Ele era correto demais, chegava a ser chato. A gente dizia que daquele jeito não arrumaria namorada”, disse G.S., 25.

De acordo com os fiéis da Igreja ouvidos pelo Estado, junto com o interesse quase obsessivo pela política, vieram as mudanças de comportamento que culminaram com a briga com um cunhado, há cerca de três anos.

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