Rossi e Palocci deixam de lado Ribeirão Preto, ex-reduto de ambos

Peemedebista passou bastão ao filho e diz ter pendurado chuteiras, enquanto petista dá suas opiniões à distância

O Estado de S.Paulo

10 Junho 2012 | 03h10

Em Ribeirão Preto (SP), a eleição para a prefeitura revela o abatimento de dois ex-ministros da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista Wagner Rossi, ex-titular da Agricultura, que deixou a pasta em agosto após denúncias de irregularidades e suspeitas de corrupção, agora é visto com pouca frequência na cidade e passou o bastão ao filho, o deputado estadual Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista.

Primeiro a deixar o governo Dilma após denúncias - antes do processo conhecido como faxina -, o petista Antonio Palocci (ex-chefe da Casa Civil) dividia a influência política em Ribeirão com Wagner Rossi. Apesar de ter sido prefeito duas vezes, Palocci mantém distância da política local.

Wagner Rossi é membro da executiva estadual do PMDB e tem comparecido apenas a reuniões de deliberação. Segundo Baleia, depois de deixar o ministério, o pai decidiu se afastar do front político. "Ele acabou pendurando a chuteira. Tem ajudado o PMDB no Estado, participa da executiva, mas sem viagens e nenhuma ação de articulação política local", contou. "Ele fala que a contribuição que podia dar já deu, que não sai mais candidato e não tem pretensões de ocupar cargo público."

Recentemente, o Ministério Público Federal ajuizou ação contra o ex-ministro e outras 11 pessoas por improbidade administrativa. O MPF pede que sejam condenados a devolver R$ 3 milhões desviados do Ministério da Agricultura por suposta fraude em contrato firmado entre a pasta e a Fundação São Paulo (Fundasp). Mantenedora da PUC-SP, a Fundasp foi contratada em setembro de 2010 sem licitação para capacitar servidores do ministério.

Projeto. Há um ano, no início de junho de 2011, Palocci deixou a Casa Civil sem conseguir explicar as denúncias de enriquecimento suspeito. Seu patrimônio cresceu 20 vezes em quatro anos e em 2010, ano eleitoral, sua empresa de consultoria faturou R$ 20 milhões.

"Há muito tempo o Palocci não participa da vida interna do PT de Ribeirão. Quando é necessário, ele deixa suas opiniões claras, seu nome volta e meia é cogitado para algum cargo, mas ele ressaltou que não queria ser candidato este ano", destacou o presidente municipal do PT, Pedro Jesus Sampaio. "Ele está morando em São Paulo, está completamente afastado. Está refazendo a vida dele, não deve ter nenhuma participação", reforçou o presidente do PT paulista, deputado estadual Edinho Silva.

Petistas e peemedebistas estarão em campos opostos em Ribeirão Preto. O PMDB mantém a aliança com a atual prefeita Dárcy Vera (PSD), pré-candidata à reeleição. Palocci e Wagner Rossi, agora sumidos do cenário municipal, porém, mantinham uma relação de proximidade. "O PT nunca foi oposição sistemática em Ribeirão", disse Edinho.

O escolhido para encabeçar a chapa petista na cidade é o juiz aposentado João Agnaldo Donizete Gandini, que tentará evitar a polarização da disputa entre a atual prefeita e o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB).

Processo. Quando ocupava a Vara da Fazenda Pública, Gandini presidiu um processo em que Palocci era acusado de improbidade administrativa em licitação para compra de cestas básicas. Como ele acabou não julgando o processo, dentro do PT o episódio é considerado superado.

O próprio Gandini, porém, não acredita no engajamento do ex-ministro e ex-prefeito em sua campanha. "Está fora da campanha, não vai participar com certeza", disse. "Tenho um relacionamento mais distante, ele está fora de Ribeirão... Agora, a verdade é que o PT está unido em torno da minha pré-candidatura e ele, sendo uma liderança importante dentro do partido, está unido nesse movimento, embora não participe diretamente disso." / D.A. e E.K.

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