Rose agiu em favor de rádio para investigado nas Comunicações

Ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo pediu à cúpula do ministério que facilitasse autorização para emissora de familiares de Paulo Vieira

Bruno Boghossian, de O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h05

A ex-chefe do gabinete regional da Presidência em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha pediu à cúpula do Ministério das Comunicações que facilitasse o andamento de um processo de autorização de uma rádio da família de Paulo Vieira, diretor afastado da Agência Nacional de Águas (ANA), preso na Operação Porto Seguro da Polícia Federal.

Rose conversou em junho deste ano com o secretário executivo da pasta, Cezar Alvarez, sobre a liberação da Rádio RMS, de Capão Bonito (SP). A empresa tem como um dos sócios Marcelo Rodrigues Vieira, irmão de Paulo.

O ministério confirmou que Alvarez discutiu o assunto com Rose duas vezes, mas alega que não deu nenhum benefício à rádio. "Reclamações deste tipo são constantes e habituais, e é obrigação deste ministério receber todos que nos procuram com questionamentos dessa natureza", afirmou a pasta, em nota. O ministério declarou ainda que Alvarez não conhece Paulo Vieira.

A Rádio RMS tem autorização de funcionamento provisório desde janeiro. Dois meses depois da conversa entre Rose e Alvarez, segundo o ministério, o processo foi enviado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), "com base em um convênio que transferiu para a agência reguladora a competência de analisar pedidos de alterações técnicas nos processos de radiodifusão".

Segundo a investigação da Polícia Federal, Rose ajudava empresários ligados à quadrilha liderada por Paulo e intermediava encontros com autoridades.

Em um e-mail interceptado pela PF em março, Rose havia prometido a Paulo que procuraria o secretário executivo do ministério. "Hoje vou tentar falar com o Alvarez sobre a rádio. Aguarde", escreveu. O ministério afirma que o secretário só conversou com Rose em junho.

Mensagens interceptadas na ocasião mostram que o grupo de Paulo estava preocupado com o andamento do processo de autorização da rádio. Paulo foi orientado a procurar representantes da cúpula do ministério.

"Eu sugiro que o sr. tente com algum parlamentar uma audiência com o chefe de gabinete do ministro, sr. Leones", escreveu uma mulher identificada como Giselle Athayde. Na época, o chefe de gabinete do ministro Paulo Bernardo era Leones Dall'Agnol. O ministério afirma que Dall'Agnol "não tem registro de pedido sobre a rádio em questão".

MEC. De acordo com a Polícia Federal, Paulo Vieira também exercia influência sobre assessores do Ministério da Educação e cobrava favores para a Faculdade de Ciências Humanas de Cruzeiro (Facic), no interior de São Paulo, mantida por sua família.

"O processo de recredenciamento sofreu uma movimentação estranha. Peço-lhe que entre em cena. (ENTRE DE PAU NISSO MEU IRMÃO!)", escreveu Paulo Vieira em e-mail enviado a Esmeraldo Malheiros dos Santos, consultor jurídico da pasta.

O ex-diretor da ANA também usou senha de Márcio Alexandre Barbosa Lima, do MEC, para consultar dados de recredenciamento de uma faculdade. Os dois foram afastados anteontem.

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