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Rollemberg abre 10 pontos de dianteira sobre Frejat no DF

Segundo a pesquisa deste sábado, candidato do PSB aparece com 55% contra 45% do representante do PR

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2014 | 20h02

BRASÍLIA - Em uma eleição caracterizada pelo intenso embate ético, com denúncias de corrupção e o impacto direto da Lei da Ficha Limpa no processo, que inviabilizou a candidatura favorita do ex-governador José Roberto Arruda (PR), o candidato do PSB ao governo do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, chega hoje com maiores chances de vencer a disputa pelo Palácio do Buriti. Ele aparece com vantagem de 14 pontos porcentuais sobre o adversário, Jofran Frejat (PR), que assumiu a cabeça da chapa de Arruda.

No 2.º turno, a campanha se baseou em uma troca de acusações entre os candidatos, que tentaram expor as ligações dos adversários com políticos com envolvimento em escândalos de corrupção. Ex-secretário de Saúde do ex-governador Joaquim Roriz, também alvo da Lei da Ficha Limpa, Frejat foi acusado no programa de Rollemberg de ser marionete de Arruda e Roriz e pertencer a um grupo político envolvido em uma sucessão de escândalos de corrupção que abalaram a capital federal.

“Não há por que eu deixar de ouvir o Arruda e o Roriz, que tiveram bom trabalho. Tiveram problemas? Não vou fazer que nem o Rollemberg, que quando o Agnelo (Queiroz, atual governador do DF) teve problema, chutou o traseiro e pulou fora. Isso não se faz com companheiro”, disse Frejat ao Estado. “Não tenho compromisso com malfeito. Quem vai resolver o certo e o errado no meu governo sou eu.” O candidato do PR, por sua vez, usou o apoio de Rollemberg ao início da gestão Agnelo, para tentar transferir ao pessebista a rejeição do petista. O governador tentou a reeleição, mas já saiu derrotado no 1.º turno e no 2.º turno declarou voto nulo.

Segundo avaliações internas da equipe de Rollemberg, a associação com Agnelo pesou mais contra o candidato do PSB do que a “tarifa Frejat”, promessa de passagens de ônibus por R$ 1 a partir de 1.º de janeiro de 2015.

“Eu pessoalmente nunca participei do governo Agnelo, o PSB participou inicialmente e discordamos dos procedimentos do governo, do afastamento dos compromissos que ele assumiu”, justificou Rollemberg, no debate da TV Globo na quinta-feira.

Em um vídeo repleto de ironias, o programa do PSB exibiu atores simulando os bastidores de uma campanha e propondo “ganhar essa eleição a qualquer preço”. “O nosso preço é R$ 1”, diz um dos atores, em referência à “tarifa Frejat”. Uma vitória de Rollemberg daria ao DF pela primeira vez o triunfo a uma terceira via política, uma vez que desde 1994 os embates se polarizaram entre o grupo de Roriz e o PT. 

“Não somos terceira via, somos a melhor via, a da eficiência, honestidade e competência’, disse Rollemberg antes de participar na terça-feira de caminhada em Taguatinga, cidade-satélite do DF, acompanhado do senador eleito pelo Rio, Romário (PSB). O ex-craque ofuscou o candidato, monopolizando os holofotes e a atenção do público.

Na reta final da campanha, Rollemberg ganhou também o reforço da candidata derrotada do PSB à Presidência, Marina Silva. Para o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), a eventual vitória de Rollemberg rompe com uma tradicional polarização existente no DF, entre petistas e o clã Roriz. “A terceira via que o Eduardo Campos representava para se contrapor a PT e PSDB no âmbito nacional, em Brasília envolve PT e grupo Roriz”, analisa Fleischer.

Pesquisa. Na pesquisa Ibope divulgada neste sábado, o candidato Rodrigo Rollemberg (PSB) seria eleito governador do Distrito Federal (DF). Rollemberg tem 55% das intenções de votos válidos. Na anterior, do dia 21 de outubro, o candidato tinha 57%. O candidato Jofran Frejat (PR) subiu na pesquisa, de 43% para 45% das intenções de votos.

O Ibope ouviu 2002 eleitores do DF entre os dias 22 e 24 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%.

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