Rodrigo Janot é o novo procurador-geral

Planalto anunciou substituto de Roberto Gurgel ontem; indicação ainda precisa ser confirmada pelo plenário do Senado, após sabatina

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2013 | 02h09

A presidente Dilma Rousseff escolheu Rodrigo Janot para o cargo de Procurador-Geral da República, em substituição a Roberto Gurgel, que deixou a função na última quinta-feira. Em nota oficial, a presidente Dilma, depois de destacar a "brilhante carreira" de Janot, disse considerar que ele "reúne todos os requisitos para chefiar o Ministério Público com independência, transparência e apego à Constituição".

Subprocurador-geral da República, Rodrigo Janot, de 56 anos, era o primeiro colocado da lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que estava nas mãos da presidente Dilma há mais de três meses. Ele terá seu nome ainda sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O nome de Rodrigo Janot aparecia como o preferido no início do processo de escolha, pelo seu perfil mais discreto. Mas a presidente Dilma Rousseff chegou a pensar na possibilidade de escolher uma mulher. No entanto, as duas outras integrantes da lista tríplice, Ela Wiecko e Deborah Duprat, que estavam, respectivamente, em segundo e terceiro lugar, não tinham o perfil desejado pelo Palácio do Planalto, por serem consideradas mais independentes. Com a escolha de Janot, Dilma mantém a tradição de escolher o primeiro da lista votada pela associação da categoria.

Conversa. Na quinta-feira, após regressar da viagem ao Paraguai, a presidente Dilma se reuniu com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, que haviam sido destacados pela presidente para conversar com os três candidatos.

Nova rodada de conversa foi feita e a presidente bateu o martelo em relação ao nome de Janot, que já esteve com Dilma, de acordo com informações do Planalto. Ontem, depois de a Casa Civil ter feito as avaliações de praxe em relação a nomeados pelo governo, a presidente Dilma Rousseff comunicou a sua escolha.

Mensalão. O novo representante do Ministério Público assume o cargo em momento crucial do julgamento do mensalão - a Ação Penal 470 -, que levou à condenação de importantes figuras do PT, como ex-ministro José Dirceu. Ele também irá atuar no chamado mensalão mineiro, que envolve diversas figuras de destaque do PSDB. Terá de atuar, ainda, em inúmeras ações abertas nos últimos dias pelo seu antecessor, envolvendo deputados e senadores.

Durante o processo de escolha, Rodrigo Janot se movimentou bastante nos bastidores entre os políticos. Ele chegou a confidenciar a amigos que se reuniu com integrantes de vários partidos da base aliada, onde tem bom trânsito, para se cacifar ao cargo.

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