WILTON JUNIOR/Estadão
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Roberto Jefferson derruba alianças do PTB com adversários de Bolsonaro: ‘Não vamos apoiar inimigo’

Em áudio obtido pelo ‘Estadão’, presidente diz a correligionário de Presidente Prudente (SP) que o partido não vai apoiar o DEM, sigla de Maia e Alcolumbre, a quem chama de ‘bandidos e vagabundos’

Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 09h15
Atualizado 18 de setembro de 2020 | 23h16

Aliado do presidente Jair Bolsonaro, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, promoveu nesta quinta-feira, 17, uma intervenção nos diretórios municipais e anulou as convenções partidárias nas cidades onde a sigla apoiaria candidatos de outros partidos, que fazem oposição ao Palácio do Planalto. Foram registrados casos em São Bernardo do Campo, Osasco e Presidente Prudente, em São Paulo, Salvador (BA) e Fortaleza (CE). 

O Estadão teve acesso ao áudio de uma mensagem de WhatsApp atribuída a Jefferson que foi enviada a um correligionário de Presidente Prudente com um recado ao empresário Feiz Abbud (PTB), que havia sido escolhido vice de Laércio Alcântara (DEM). “Partido de Rodrigo Maia e (Davi) Alcolumbre (ambos do DEM) não dá para o PTB. Não vamos apoiar partido que é inimigo do Bolsonaro”, disse o dirigente. Em seguida, Jefferson ameaça anular a convenção e completa: “Não aceitamos coligação com partidos do Foro de São Paulo, PSDB, DEM”.

Em Salvador, a sigla de Jefferson apoiaria Bruno Reis, também do DEM. 

Em São Bernardo do Campo e em Osasco, o PTB havia indicado os candidatos a vice de Luiz Marinho e Emídio Souza, ambos do PT. O partido vai trocar os vices. Em São Bernardo, uma mulher deve ser anunciada como vice de Marinho até domingo. Em Fortaleza, a sigla de Jefferson estaria com outra petista – Luizianne Lins. Na capital cearense e em outras cidades do País, a decisão sobre a indicação de um novo vice cabe aos diretórios municipais do PT.

No documento enviado aos Estados, Jefferson alega que o ato descumpre uma resolução da Comissão Executiva Nacional. Segundo um integrante da executiva nacional do PTB, o veto que atropelou os acordos locais proibiria, a princípio, apenas alianças com partidos de esquerda, mas Jefferson ampliou a restrição para legendas que sejam potenciais adversárias de Bolsonaro no Congresso e nas eleições em 2022.

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Com esse gesto, Jefferson aproxima o PTB do Palácio do Planalto e deixa as portas abertas para que Bolsonaro e seu grupo entrem na legenda para disputar a reeleição.

Na última quarta-feira, o dirigente atuou para tirar da disputa Marcos da Costa, ex-presidente da OAB-SP, que será candidato a vice na chapa do deputado federal Celso Russomanno (Republicanos).

A articulação nesse caso passou pelo próprio presidente da República, que telefonou para o presidente estadual do PTB, Campos Machado, pouco antes do início da convenção do partido em São Paulo. No Estado, o objetivo de Bolsonaro e Jefferson é ter uma candidatura forte para se opor a eventuais adversários em 2022, como o governador João Doria (PSDB).

Jefferson decidirá destino de R$ 10 mi de fundo

 Condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão, Roberto Jefferson vai decidir a destinação de R$ 10 milhões do fundo eleitoral este ano. De acordo com petição enviada pelo PTB ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os critérios de distribuição dos R$ 46,6 milhões a que a sigla tem direito, Jefferson decidirá sobre a destinação de R$ 3 milhões da verba para candidaturas femininas e R$ 7 milhões para candidatos em geral.

Jefferson controla o seu partido de forma ininterrupta há pelo menos oito anos. A consulta de informações partidárias do TSE mostra que, desde julho de 2012, ele ocupa ou o cargo de presidente ou o cargo de presidente de honra da sigla. 

Na década de 1990, Jefferson liderou a "tropa de choque" que defendeu, sem sucesso, o então presidente Fernando Collor do processo de impeachment. Desde então, apoiou e fez indicações a cargos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Temer. /COLABOROU PAULA REVERBEL

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