Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Rio de Janeiro tem manifestações a favor e contra Bolsonaro

Alguns partidos políticos estiveram presentes no ato contra Bolsonaro; na manifestação pró Bolsonaro, "minorias" demonstraram apoio ao candidato do PSL

Marcio Dolzan e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2018 | 21h32

RIO - Manifestantes contrários ao candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, lotaram a praça da Cinelândia e marcharam, na tarde e noite deste sábado, 29, até a Praça XV, no Centro do Rio. Lá, os ativistas se reuniram em torno de um palco por volta das 18 horas. O protesto foi convocado, em várias cidades do País e também no exterior, pelas redes sociais. O ato carioca também teve militantes de partidos políticos, com camisetas e símbolos das agremiações. 

O público era variado. Havia bandeiras de legendas como PDT e PSTU, assim como material de campanha do candidato a presidente pelo PSB, Ciro Gomes, e do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ). Muitos manifestantes demonstravam suas preferências eleitorais, com destaque para Fernando Haddad (PT), Ciro e candidatos ao Legislativo do PSOL.

As estudantes universitárias Gabriela Guimarães, de 26 anos, Rebeca e Raquel de Sá, de 20 e 23 anos, respectivamente, e Theodora França, de 25, disseram que foram ao protesto porque são militantes -- foram criadas em famílias "politizadas", afirmaram. O repúdio a Bolsonaro vai além das eleições, segundo Theodora.

"Alguém que olha para a maioria de nós e não consegue ver um ser humano completo não deveria nem ser candidato", disse a estudante, referindo-se a declarações do candidato do PSL consideradas ofensivas a mulheres, negros e homossexuais. Cada uma das estudantes vai votar em candidatos diferentes: Ciro, Haddad e Marina Silva (Rede).

Uma bandeira com a imagem da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março, arrancou aplausos. Também havia manifestantes com camisetas de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado pela Operação Lava Jato.

A militância política convivia com performances de arte, uma roda de capoeira improvisada e mulheres em pernas de pau. Representantes de religiões de matriz africana entoavam cânticos. "Ele é machista, ele é machista! Meu voto será feminista!", diz um dos gritos de ordem entoados de cima do carro de som, ao ritmo do funk "Din, din, din", da cantora Ludmila.

A vendedora ambulante Ana Mary da Conceição, de 38 anos, foi ao protesto a trabalho, mas também se opõe a Bolsonaro. "Não aprovo e não vou votar nele, por ser mulher e negra", disse Ana, que não trabalha de carteira assinada há cinco anos e vai votar em Haddad, mas apenas para provocar o segundo turno.

Manifestações a favor

Em Copacabana, apoiadores do candidato do PSL promoveram o ato "Mulheres com Bolsonaro". Convocada como contraponto aos diversos protestos contra a candidatura de Jair Bolsonaro , a manifestação interrompeu na tarde deste sábado parte de uma das pistas da Avenida Atlântica, em Copacabana, perto do Posto 5. O público era formado tanto por mulheres quanto por homens e se espalhou por um trecho de cerca de 100 metros. Com uma imagem de Bolsonaro de papelão em tamanho real em cima do carro de som, o ato começou às 14h20 com o Hino Nacional e um Pai Nosso.

"Somos um movimento de paz e harmonia", afirmou do microfone uma das líderes do movimento. "Aqui tem mãe solteira, tem mãe com dificuldade para pagar suas contas, que se vira nos trinta", declarou a ex-ativista do grupo feminista Femen Sara Winter. Candidata a deputada federal pelo DEM, pouco antes ela posou para foto segurando um “fuzil” de papelão.

Diversas pessoas se revezaram nos discursos. O enfoque variou das críticas ao PT - "primavera vermelha aqui não, só lá em Curitiba, entre quatro paredes e atrás das grades", afirmou uma das manifestantes  -, à "defesa à vida", com críticas contundentes aos que defendem a legalização do aborto. Também houve ironias contra veículos de imprensa que têm divulgado denúncias contra Bolsonaro.

Uma mãe negra, que tem nove filhos "e é proprietária de um lava-jato", uma mulher que se apresentou como defensora dos animais e um homem que afirmou "ter muito orgulho de ser gay, e mais ainda de ser Jair Bolsonaro" também discursaram.

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