‘Rígida na aula, ela não tinha vocação’, diz colega de convento de Marina

Irmã Cláudia, do Acre, conta que candidata do PSB era professora durona, mas não poderia virar freira

LUCAS DE ABREU MAIA, ENVIADO ESPECIAL A RIO BRANCO, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2014 | 03h00

Maria Cláudia Barbosa da Silva, a irmã Cláudia, de 83 anos, não parece muito feliz quando questionada sobre a fé evangélica da presidenciável do PSB, Marina Silva. Irmã Cláudia é uma das mais antigas freiras na Escola e Convento Imaculada Conceição, um colégio de classe média em um bairro de classe média baixa situado em Rio Branco, na capital do Acre. Foi ali que Marina fez o ginásio - atualmente os últimos quatro anos do ensino fundamental -, morou por dois anos quando ainda pretendia ser freira e deu aulas de História em 1983. 

“Eu não quero testá-la, mas eu era criança quando um homem perguntou para o meu pai, católico, se ele não queria virar protestante”, conta. “Ele respondeu: ‘estou bem onde estou’. Nunca mais o homem o abordou com esse assunto.” Mas, em seguida, acrescenta: “Claro que todo mundo tem o direito de procurar outra religião se não estiver bem onde está.”


Irmã Cláudia era a diretora da escola quando Marina atuava ali como professora. “Era muito séria, tinha ótimo controle do assunto e da turma. Quando se tem controle da turma, os alunos conseguem se desenvolver”, diz, em tom professoral.

São essas também as lembranças de Jorgete Migueiss, à época na 8.ª série - atualmente, o 9.º ano do ensino fundamental: “Me lembro de ela fazer uma explanação longa sobre o feudalismo. Eu me recordo dela falando muito. E era bastante rígida.”

E será que Marina, se eleita, será tão rígida com seus ministros quanto era com os alunos? “Atualmente não sei, mas tem de ser, né?”, diz.

Marina deixou o trabalho no Imaculada Conceição ao assumir um cargo no sindicato dos professores. Mas seu ativismo nunca ultrapassou a porta da sala de aula, garantem tanto Jorgete como a irmã Cláudia.

Quase freira. Irmã Cláudia conta que Marina logo se deu conta de que não tinha vocação para a vida eclesiástica. “Eu a tenho como uma pessoa muito responsável. Logo que percebeu que aquilo não era para ela, saiu.” Indagada sobre o que faltava a Marina, a freira responde: “É uma vida muito difícil. É preciso acordar às 5h30 todos os dias, fazer as orações na hora certa e estar aberta para ajudar a população.”

Mas essa rotina também não é similar à de um Presidente da República?, questiona o repórter. “É mesmo”, admite. “Mas a Marina logo percebeu que não era para a vida religiosa”, completou a religiosa.

Ao se despedir da reportagem, irmã Cláudia diz com certa reverência: “Espero que Deus a abençoe no governo, mesmo ela tendo mudado de religião.”

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