Ricardo Coutinho teve apoio do PSDB no governo da Paraíba
Imagem Adriana Carranca
Colunista
Adriana Carranca
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Ricardo Coutinho teve apoio do PSDB no governo da Paraíba

Ao votar, candidato do PSB criticou coligação nacional de seu partido com o PSDB de Aécio; ele se aliou com o PT de Dilma

Adriana Carranca, Enviada especial de O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 13h40

JOÃO PESSOA - A eleição deste domingo, 26, é uma "prova de fogo" para o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Ao votar, em João Pessoa, o candidato criticou a coligação nacional de seu partido com o PSDB de Aécio Neves - o governador aliou-se com o PT de Dilma Rousseff no segundo turno. Mas há quatro anos, Coutinho se elegeu em grande parte graças ao apoio de um tucano, o agora adversário Cássio Cunha Lima, que tenta o terceiro mandato.

Em 2009, Cunha Lima teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e decidiu apoiar Coutinho nas eleições do ano seguinte, contra o rival Maranhão, do PMDB. Segundo mais votado em 2006, Maranhão ocupou o governo quando Cunha Lima foi cassado.

Beneficiado por uma série de recursos contra a sua cassação no TSE, no entanto, Cunha Lima se candidatou ao Senado em 2010. Foi o mais votado da história da Paraíba, com 1 milhão de votos.

"Coutinho tinha sido prefeito de João Pessoal por dois mandatos, mas não era conhecido do eleitorado no interior. Cunha Lima vem de uma família tradicional de políticos na Paraíba, tinha sido eleito governador por duas vezes e tem como curral eleitoral o segundo maior colégio eleitoral do estado: a cidade de Campina Grande", diz o cientista político Ítalo Fittipaldi, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). "Ele transferiu seus votos para Coutinho e foi essencial para a vitória do peesebista em 2010."

Neste ano, o TSE entendeu que os oito anos de inelegibilidade que Cunha Lima deveria cumprir, pela Lei Ficha Limpa, venceram em 1º de outubro e autorizou sua candidatura ao governo. Só então Coutinho e Cunha Lima romperam.

Nos quatro anos de seu mandato, Coutinho concentrou esforços no interior da Paraíba, aumentando a presença do Estado na região - e, em consequência, tornando-se mais conhecido do eleitorado.

Em sua página na internet, o governador lista as obras levadas pelo Estado a cada um dos 223 municípios paraibanos, entre elas a construção de escolas e cisternas contra a seca.

Coutinho investiu em projetos como o Orçamento Democrático, em que discutia o orçamento público com a sociedade civil nas cidades interioranas. Também criou um programa Pacto Social em que cada prefeitura podia apresentar um projeto para receber investimentos do governo estadual, dando como contrapartida a redução de um índice social, como analfabetismo e mortalidade infantil.

O secretário de Estado de Desenvolvimento e Articulação Municipal de Coutinho, responsável pelo projeto, era Manoel Ludgério (PSD), reeleito deputado estadual nestas eleições na coligação de Cunha Lima e Aécio Neves do PSDB.

"Por causa da aliança com Cunha Lima, Coutinho teve de dividir os cargos no Estado entre o PSB e o PSDB. Ele governou, digamos, pela metade", avalia o cientista político.

Pesquisa. Os dois candidatos ao governo da Paraíba chegam à eleição tecnicamente empatados, no limite da margem de erro, de três pontos porcentuais, segundo a última pesquisa Ibope, divulgada no sábado. Ricardo Coutinho (PSB) aparece numericamente à frente na disputa, com 53% das intenções de votos válidos, contra 47% do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), que tenta o terceiro mandato.

No primeiro turno, Cássio venceu Coutinho com vantagem de apenas 1,4 ponto porcentual - 47,4% contra 46%, respectivamente.

Tudo o que sabemos sobre:
EleiçõesRicardo CoutinhoParaíba

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.