Revista publica em seu site direito de resposta de Dilma

Coligação petista afirma que reportagem da 'Veja' tenta influenciar o eleitor com 'denúncias vazias'; publicação critica decisão judicial

O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 10h27

São Paulo - A revista Veja publicou em seu site, na madrugada deste domingo, 26, um direito de resposta da presidente Dilma Rousseff referente à capa da última edição da publicação. Segundo a reportagem, o doleiro Alberto Youssef afirmou em depoimento à Justiça Federal que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento de um esquema de desvio de dinheiro envolvendo a Petrobrás. Veja criticou a decisão.

Na noite de sexta-feira, 24, a coligação da campanha petista acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que neste sábado, 25, atendeu ao pedido e determinou a publicação de um direito de resposta de Dilma no site da publicação. A decisão foi do ministro do TSE Admar Gonzaga.

"A democracia brasileira assiste, mais uma vez, a setores que, às vésperas da manifestação da vontade soberana das urnas, tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata", diz o texto assinado pela coligação.

O depoimento teria ocorrido na terça-feira, 21, como parte do acordo de delação premiada feito entre Youssef e a Justiça. O doleiro foi preso em março durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Segundo a revista, Youssef não apresentou provas durante o depoimento. A defesa dele afirmou que o doleiro nunca fez referência aos petistas e não poderia comentar o teor da delação, protegida por sigilo judicial. Neste sábado, a presidente e Lula afirmaram que vão processar a revista.

"Ocorre que o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato, uma vez que todos os depoimentos prestados por Youssef foram acompanhados por Basto e/ou por sua equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor", finaliza o direito de reposta.

Liberdade de expressão. Também em seu site, a Veja criticou a decisão judicial. "[O direito de resposta] é resultado de uma decisão individual de Admar Gonzaga, ex-advogado da campanha de Dilma Rousseff em 2010 e hoje ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nomeado por Dilma Rousseff."

"Em seu aspecto doutrinário, lamenta-se a fragilidade a que se submete, em período eleitoral, o preceito constitucional da liberdade de expressão, ao se permitir que, ao cabo de poucas horas, de modo monocrático, um ministro decida merecerem respostas informações jornalísticas que, em outras circunstâncias, seriam simplesmente verdades inconvenientes", complementa a nota.

Tudo o que sabemos sobre:
eleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.