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Revisão não revoga avanço

Os efeitos da absolvição já prevista por formação de quadrilha dos condenados do mensalão não incluem a redução dos danos políticos para o PT, embora animem o partido a insistir na tese da politização do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2014 | 02h08

O desgaste já está precificado desde as condenações e refletido nas pesquisas que registram o apoio de 86% dos brasileiros às prisões, índice que sobe a 87% entre os simpatizantes do partido. Os condenados cumprirão pena por tempo suficiente para firmar a condição de presidiários, ainda que tenham reduzido significativamente o período prisional.

Para a biografia de um político, a suspeita de corrupção já produz dano quase sempre definitivo. Uma condenação que não pôs em dúvida a ação delituosa e que se efetiva com a prisão, como é o caso, é uma sentença de morte política.

O dano é extensivo ao PT pelo engajamento na defesa dos seus dirigentes condenados, mesmo sem convencer seu próprio eleitorado.

A consequência temida pelos ministros que votaram pela formação de quadrilha é a de que a percepção positiva do fim da impunidade para políticos e criminosos de colarinho branco, promovida pelo julgamento do mensalão, seja comprometida pela ideia de que são até condenados, mas não ficam presos.

Pelo menos, ficam pouco tempo e, mesmo assim, com regalias e a solidariedade de autoridades, como mostra a visita do governador Agnelo Queiroz, do DF, ao ex-ministro José Dirceu, disfarçada de "inspeção" penitenciária.

O que o PT comemora é a simbologia do fim da pena por formação de quadrilha que, segundo o ministro Marco Aurélio Mello, pode reforçar a visão leiga de um julgamento político, mas não muda a realidade prisional.

Não por outro motivo, o decano da Corte, Celso de Mello, fez de seu voto pela formação de quadrilha uma contestação à síntese do PT para o caso, que o definiu como "a maior farsa política da história do País". Maior farsa da história, redefiniu Mello, foi a protagonizada pelos eleitos para servir ao País e que dele se locupletaram por um bom tempo.

O PT manterá o discurso do julgamento político, mas o tempo o dotará da monotonia própria dos mantras vazios. O partido apostará mesmo é na isonomia da corrupção com o PSDB, que agora terá no banco dos réus um expoente do partido, ex-governador de Estado e ex-deputado Eduardo Azeredo.

Seu processo difere do mensalão, mas tem o gene do desvio de dinheiro público para campanha. Não tem a dimensão daquele, mas serve ao objetivo de nivelar por baixo e estender a prática da corrupção a todas as legendas, omitindo a diferença de escala entre ambos.

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