Revés mudará rota do PSD

Embora alimente esperança de uma decisão favorável do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o direito ao tempo de televisão proporcional à sua bancada, o PSD já avalia alternativas em caso de um revés. O cenário mais palatável à maioria, nas conversas informais, é uma ponte com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que poderá tomar a forma de uma fusão ou incorporação futura.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h05

O partido está convicto de que sem o tempo de televisão, já negado pela Procuradoria-Geral e, no mérito, pelo atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, o projeto sofre um abalo de morte porque extingue seu poder de barganha nas alianças para as eleições municipais.

Se o desfecho for a derrota - o TSE deve julgar o caso depois de amanhã -, já na quarta-feira a discussão estará posta no partido, com um clima mais crítico à prevalência do interesse do prefeito Gilberto Kassab, hoje concentrado na eleição paulistana. Um revés no tribunal precipitará o distanciamento do PSDB, cuja parceria é hoje tolerada pela causa paulista.

A derrota ainda inviabiliza a expectativa de ser uma alternativa ao PMDB no atual mandato de Dilma Rousseff, apostando em sua reeleição e consequente participação no governo do segundo mandato. Sem tempo de TV, o partido sofre uma desidratação que elimina seu principal poder de barganha: o tamanho da bancada atual, de 52 parlamentares.

O abraço com o PSB aumenta a bancada e a capilaridade do partido de Campos, e abre uma alternativa de poder em 2018 para o PSD, que não acredita na viabilidade eleitoral de José Serra nem de Aécio Neves para a Presidência.

Fogo amigo

do PMDB

Interlocutores do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), atribuem sua tentativa de escalar o novo líder do governo, Eduardo Braga (AM), para a CPI do Cachoeira como uma

maneira de forçar o Planalto a tomar posição na CPI. Com isso, criaria

dificuldades para o governo

sustentar a neutralidade anunciada pela presidente Dilma Rousseff. Mas, ele mesmo, Renan, prefere acompanhar a CPI de fora, e não como integrante da comissão, "para se preservar". De quebra, deixou Braga numa saia-justa, para demonstrar que sua liderança é contestada no partido.

O outro lado do balcão

A Romero Jucá (PMDB-RR), apeado da liderança do governo por Dilma, Renan confiou missões capazes de incomodar o governo: além do

Orçamento de 2013, ele também

relatará Medidas Provisórias estratégicas, uma delas a que contempla parte do Plano Brasil Maior, na qual quer incluir setores não contemplados no texto original, como transporte coletivo e aviação civil.

A vez do corruptor

Em tempos de CPI do Cachoeira, uma ala do PMDB tenta barrar o avanço do projeto de lei que pune funcionários e dirigentes de empresas corruptoras e institui multas de até R$ 6 milhões. A proposta é apontada pela CGU como um dos principais instrumentos de combate à corrupção. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT), já anunciou que pode incluir o projeto na pauta entre 1o e 20 de junho, quando prevê um intervalo na votação de MPs.

Em campanha

A hostilidade do Planalto ao líder do PMDB à presidência da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), começa a estimular candidaturas avulsas fora dos dois maiores partidos da base. Agora é o deputado Julio Delgado (PSB-MG) que arrisca se lançar. Alves, por sua vez, cobra o acordo com o PT e planeja uma confraternização com o partido, com apoio do presidente da Câmara, Marco Maia.

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