Réus reforçam tese de assassinato e suicídio no caso PC

PMs acusados da morte do ex-tesoureiro de Collor e sua namorada dizem que crime foi passional; legistas contestam laudo de Badan

Carlos Nealdo, especial para o Estado

10 de maio de 2013 | 02h06

Maceió - Acusados de participação na morte de Paulo César Farias e da namorada dele, Suzana Marcolino, os policiais militares Adeildo Costa dos Santos, José Geraldo da Silva, José Faustino dos Santos e Reinaldo Correia de Lima Filho reiteraram ontem a defesa da tese de que houve crime passional. Os réus confirmaram os depoimentos prestados anteriormente e os relatos de que na madrugada de 23 de junho de 1996, data da morte do casal, ouviram uma discussão entre PC Farias e Suzana.

Adeildo Costa dos Santos - o primeiro réu a depor ontem - disse que PC Farias tinha se recolhido aos aposentos às 4 horas, mas antes apareceu na janela da casa e perguntou ao segurança se estava tudo bem. "Lembro exatamente do horário porque imediatamente após ele perguntar isso, eu olhei para o relógio." Ele disse que seu colega de plantão na noite, José Geraldo, ficou preocupado com a discussão do casal. "Falei pra ele que a gente não podia fazer nada, a não ser que o doutor Paulo nos chamasse", ressaltou.

Visivelmente nervoso, o militar, porém, entrou em contradição ao ser interrogado pelo juiz Maurício Brêda. Adeildo confessou que pegou os documentos de Suzana Marcolino no banheiro do quarto da casa onde ela e o empresário foram encontrados mortos. Ele disse que apanhou os documentos após a perícia examinar o local. Segundo ele, os documentos seriam guardados, mas estavam rasgados dentro de um envelope. O ex-segurança de PC afirmou ainda que para ter acesso ao quarto precisou pular a janela, que foi arrombada pelo colega Reinaldo Correia.

A contradição, como mostrou o juiz, é que a porta do quarto já estava aberta depois que a perícia foi feita, o que sugere que o acusado teria resgatado os papéis antes da chegada dos investigadores.

Os quatro acusados disseram que não tiveram responsabilidade na morte do casal. Eles alegam também que não ouviram os tiros que mataram Suzana e PC naquela madrugada. O Ministério Público Estadual acusa os policiais militares de omissão na morte do casal.

Laudo. Antes dos depoimentos dos réus, dois médicos-legistas foram ouvidos ontem como convidados e contestaram o laudo oficial da perícia feito na época do crime - que apontou a tese de assassinato seguido de suicídio. O perito Domingos Tocchetto disse que Suzana foi vítima de um duplo homicídio em razão da ausência de sangue na arma e de material metálico nas suas mãos - o que indica que ela não empunhou o revólver encontrado no local do crime.

Para médico-legista Daniel Muñoz, a namorada de PC Farias morreu em posição de defesa, o que também indicaria que ela foi assassinada, em vez de ter se matado. O legista baseia sua tese na quantidade de resíduos de pólvora encontrada na palma da mão de Suzana Marcolino. Segundo Muñoz, caso ela tivesse cometido suicídio, os resíduos ficariam em maior quantidade entre o indicador e polegar. "O local onde os resíduos estão indica que ela estava com a arma entre as mãos, como se quisesse se defender do tiro", explicou.

Tocchetto e Muñoz foram responsáveis na época pela contestação do laudo do legista Badan Palhares, que em depoimento na quarta-feira repetiu a tese de crime passional.

Arma. O promotor Marcos Mousinho, que atua no julgamento, disse em entrevista que a arma que matou o empresário e sua namorada sumiu do Fórum de Maceió durante uma reforma, entre 2008 e 2010. Segundo ele, sumiram também os algodões que foram usados no exame resíduo gráfico nas mãos das vítimas.

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