Réu no Supremo, Feliciano depõe hoje a portas fechadas

Decisão do ministro Lewandowski visa a 'preservar a tranquilidade' do polêmico presidente de comissão da Câmara

MARIÂNGELA GALLUCCI, FELIPE RECONDO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2013 | 02h04

Réu no Supremo Tribunal Federal pelo crime de estelionato, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) - que descarta renunciar apesar da pressão para que deixe o cargo -, prestará depoimento hoje a portas fechadas.

O relator do processo, ministro Ricardo Lewandowski disse que é preciso "preservar a tranquilidade e intimidade" do deputado e que a pequena sala onde ele será ouvido não comportaria jornalistas. O processo não tramita em segredo de Justiça - condição que justificaria o sigilo.

Feliciano foi denunciado em 2009 por estelionato, pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. Conforme a denúncia, ele teria recebido R$ 13 mil para ministrar um culto religioso, mas não compareceu.

No passado, os depoimentos colhidos no Supremo eram abertos e acompanhados pela imprensa. Em 1996, foi público o interrogatório da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello - do governo Collor -, acusada de várias irregularidades. Ela chegou a passar mal por causa de uma crise de hipoglicemia - mas em nenhum momento os jornalistas foram retirados. Em 2000, foi aberto também o depoimento da cantora mexicana Glória Trevi, num processo sobre corrupção de menores.

Revisão. Em entrevista, ontem, a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) criticou o fechamento ao público das sessões da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, decidido por Feliciano. Ele "fere a democracia e precisa ser imediatamente revisto", afirmou. Mas disse também que a Câmara saberá encontrar uma solução. / COLABOROU VANNILDO MENDES

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