Restrição no Ipea faz diretor se demitir

Herton Araújo colocou cargo à disposição do órgão por discordar do veto à publicação de estudos durante a eleição

João Villaverde e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 21h21

BRASÍLIA - Uma decisão inédita tomada pela direção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de proibir a publicação de estudos realizados pelos pesquisadores envolvendo dados públicos divulgados entre julho e o fim das eleições presidenciais, gerou uma crise interna. O diretor de estudos e políticas sociais, Herton Araújo, colocou seu cargo à disposição por discordar da decisão da cúpula do instituto. 

Disposto a publicar um estudo técnico com dados sobre miséria social no Brasil a partir da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada há três semanas, Araújo trouxe o assunto à reunião da diretoria colegiada do Ipea, realizada no dia 9 deste mês. A decisão do Ipea, porém, foi mantida: estudos somente serão divulgados a partir do dia 27 de outubro, após o 2.º turno. 

“A decisão baseou-se no entendimento de que uma instituição de pesquisa de Estado não deveria, neste período, suscitar acusações de favorecimento a um ou outro candidato”, afirmou o Ipea, em nota. 

Segundo o órgão, vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), comandada por Marcelo Neri, “por discordar desta interpretação da lei eleitoral, o Sr. Araújo colocou o cargo à disposição”. Procurado nesta quinta-feira, 16, Herton Araújo não respondeu às ligações. 

A crise interna no Ipea vem após diversos ruídos de comunicação envolvendo a área social do governo Dilma Rousseff. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma versão com erros da Pnad e somente corrigiu os dados 24 horas depois. O constrangimento decorrente do erro quase rendeu a demissão da presidente do IBGE, Wasmália Bivar, como informou o Estado à época. O próprio Ipea foi envolvido em episódio semelhante, no primeiro semestre, quando divulgou uma pesquisa com erros. 

No mês passado, o Ministério da Educação foi acusado de retardar a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) por causa do período eleitoral. 

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