Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Covas: ‘Restam poucos dias para o negacionismo e o obscurantismo’

Covas dá tom nacional ao primeiro pronunciamento após anúncio do resultado da votação e diz que é possível fazer política sem ódio

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2020 | 20h47
Atualizado 30 de novembro de 2020 | 07h08

O prefeito de São Paulo Bruno Covas (PSDB), reeleito neste domingo, 29, deu um tom nacional ao seu primeiro discurso após o anúncio do resultado da votação. Ao lado do governador João Doria (PSDB) e lideranças do seu partido, fez críticas indiretas ao presidente Jair Bolsonaro, disse que as urnas derrotaram o “obscurantismo e o negacionismo” e que São Paulo votou “a favor da ciência”. 

“Restam poucos dias para o negacionismo e o obscurantismo. São Paulo disse sim a ciência e a moderação”, disse Covas, que se declarou um “filho da democracia”. “É possível fazer política sem ódio, falando a verdade”. 

O tucano evitou dizer, de forma clara, que fará oposição a Bolsonaro e também não defendeu abertamente a criação de uma frente de partidos contra o governo federal para as eleições de 2022, como pregam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e a ex-prefeita Marta Suplicy, seus aliados. 

Quando questionado sobre sua posição em relação ao presidente, Covas desconversou. “Nunca construí nada contra ninguém. Sou a favor do Brasil”. Durante seu discurso, o prefeito disse que, em 2018, alguns analista previam o “fim do PSDB”. Há dois anos, o candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, teve cinco milhões de votos e ficou em quarto lugar na disputa vencida por Bolsonaro. “É muito cedo para prever 2022, mas se o grande derrotado de 2018 foi o centro, o grande derrotado de 2020 foi o radicalismo.” 

O tucano fez, ainda, uma homenagem ao vice eleito, Ricardo Nunes (MDB). “Quero fazer um agradecimento especial ao meu vice Ricardo Nunes. Que sofreu muito nessa campanha. A partir de 1.° de janeiro vamos mostrar qual a nossa visão de mundo”. Durante toda a campanha, adversários tentaram atingir Covas por meio do seu vice, citado em uma investigação de irregularidades no aluguel de creches, que ele nega, e por causa de um boletim de ocorrência por violência doméstica registrado pela mulher dele em 2011. Segundo Covas, seu vice vai fazer “clínica geral e cuidar de tudo um pouco”. 

Com a fala pausada que virou sua marca, Covas pregou união. “São Paulo não quer divisões, não quer o confronto. É possível fazer política sem ódio. Vamos governar para todos. A partir de amanhã não existe mais distrito azul e vermelho, existe a cidade de São Paulo.”

A chegada de Covas ao diretório estadual do PSDB, no Jardim Paulista, foi marcada pela aglomeração de correligionários e líderes do PSDB. Além de Doria, faziam parte do séquito o presidente nacional do partido, Bruno Araújo, o presidente estadual, Marco Vinholi, o presidente municipal, Fernando Alfredo, o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), e até a deputada Joice Hasselmann, que disputou a prefeitura pelo PSL. 

“Bruno venceu a discriminação de uma doença e soube conduzir sua campanha sem fazer uso de fake news”, disse Doria, em referência ao câncer que Covas enfrenta desde 2019. “Essa foi a vitória do bom senso e da capacidade de gestão. O foco é a vacinação, a saúde e a ciência. Não fomos negacionistas”, disse o governador Doria, que adiou, para hoje, a divulgação de medidas que podem aumentar restrições em cidades do Estado para combater a covid-19. A vacina é uma das trincheiras escolhidas por Doria para se contrapor a Bolsonaro. 

Pela manhã, Covas acompanhou Marta Suplicy, Fernando Henrique e Doria na votação. Em outro ataque indireto a Bolsonaro, questionou falas do presidente contra a urna eletrônica. “Não dá para colocar em dúvida um sistema que elegeu pessoas e partidos tão diferentes”, disse. Questionado sobre seu futuro político, o tucano afirmou, mais uma vez, que cumprirá o mandato até o fim.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.