Resguardar jornalistas protege sociedade, diz relatora da OEA

Catalina Botero diz que profissionais de imprensa são fundamentais para noticiar abusos policiais e demandas sociais

Roberta Pennafort , O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2014 | 02h01

RIO - A integridade física dos profissionais de imprensa precisa ser resguardada porque, assim, toda a sociedade estará sendo protegida. As palavras são de Catalina Botero, relatora especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), entidade ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA). Ela participou ontem, no Rio, de um seminário sobre o tema, organizado pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Conselho Nacional de Justiça, pela OEA e pelas Nações Unidas.

No caso das manifestações de rua, que têm representado riscos para jornalistas (em fevereiro, o cinegrafista Santiago Andrade morreu quando fazia imagens de um protesto no centro do Rio), Catalina lembrou que a presença da imprensa é fundamental para que a repressão policial não seja abusiva e para que as demandas sejam reverberadas.

"Em 2013 ficamos muito preocupados com as manifestações em muitos países da América Latina, pois houve agressões diretas a jornalistas. Eles têm a função de coibir o uso da força e de reportar à sociedade o que está acontecendo. São uma barreira protetora", acredita.

No Brasil, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humano, vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, está implementando um observatório que irá reunir informações sobre violência contra jornalistas e acompanhar os casos, cobrando punições.

De 2009 para cá, foram 321 ocorrências. O número engloba ameaças a profissionais, agressões, sequestros e homicídios, entre outras investidas destinadas a cercear a atividade jornalística. Os assassinatos chegaram a 18 - o que faz do Brasil um dos países mais perigosos para jornalistas.

A troca de ministras na pasta dos Direitos Humanos - na semana passada, Maria do Rosário deu lugar a Ideli Salvatti - poderá atrasar um pouco as atividades do observatório, segundo o conselheiro Tarciso Dal Maso Jardim, presente no seminário.

Jardim afirmou que os trabalhos estavam sendo apressados por causa da Copa do Mundo - pois são esperadas manifestações de rua durante o evento. Um relatório do Conselho mostra que o risco é maior no interior do País, onde muitas autoridades locais e policiais estão envolvidas nos atentados.

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