Requerimentos de CPIs não avançam nos Estados

Caso Cachoeira deflagrou pedidos para criação de comissões em Minas e no Tocantins, mas bases governistas trabalham para abafar investigações

DÉBORA ÁLVARES / SÃO PAULO , MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2012 | 03h09

O caso Cachoeira deflagrou pedidos para a instauração de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) também nos Estados. Enquanto no Tocantins a promessa é de que o requerimento de investigação seja encaminhado nesta semana, mesmo sem a garantia de todas as assinaturas necessárias, parlamentares mineiros começam a recuar.

Citado em uma gravação da Operação Monte Carlo, o governador do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB), tem mantido a Assembleia Legislativa ao seu lado. No entanto, a oposição promete arregimentar as oito assinaturas necessárias para apresentar o requerimento para a instalação da CPI até terça-feira.

Segundo o deputado Stalin Bucar (PR), outros cinco deputados já garantiram apoio - Eli Borges (PMDB), Wanderlei Barbosa (PSB), Sargento Aragão (PPS), Solange Duailibi (PT) e José Augusto Pugliesi (PMDB). O parlamentar acredita que, mesmo com a maioria governista na Casa, o pedido deve ter as assinaturas necessárias. "O texto está pronto e acho que a gravidade das acusações vai nos dar forças para levar essa investigação para frente", diz Bucar.

Além da suspeita envolvendo uma suposta relação entre Siqueira Campos e Cachoeira, a oposição defende a necessidade de investigar eventuais tentáculos do contraventor em obras da Delta Construções e no Dnit do Estado.

Caça-níqueis. Em Minas, o pedido para instalação de uma CPI na Assembleia para apurar a atuação da chamada máfia dos caça-níqueis - na esteira do escândalo Cachoeira - já chegou à mesa da Casa, mas lideranças da base de apoio ao governador Antonio Anastasia (PSDB) lutam para enterrar a proposta.

O requerimento para a criação da CPI foi apresentado em 18 de abril pelo deputado Sargento Rodrigues, do PDT - partido aliado ao Palácio Tiradentes. O governador evitou o assunto alegando que "CPI é assunto de Parlamento" e que o Executivo "defende muito essa autonomia dos poderes". O líder do governo na Casa, deputado Bonifácio Mourão (PSDB), justificou a resistência governista argumentando que o Ministério Público já apura o caso e uma investigação no Parlamento estadual "trava o andamento dos projetos normais".

A investida do governo contra a CPI ganhou força após a divulgação de que uma prima de Cachoeira, Mônica Beatriz Silva Vieira, foi nomeada para a diretora regional da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas (Sedese) em Uberaba, no Triângulo Mineiro. A nomeação ocorreu após o currículo dela ser encaminhado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), atendendo a pedido do colega Demóstenes Torres (sem partido-GO). Segundo o governo mineiro, Mônica é qualificada para o cargo em que foi nomeada.

O diálogo de Cachoeira com um interlocutor da PF, no qual o contraventor cita um encontro entre os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD) - que teria sido convencido pelo colega a não acabar com a loteria estadual -, não foi suficiente para movimentar os parlamentares catarinenses. Não há pedido formal de abertura de CPI.

Em Mato Grosso, também não há movimentação interna para investigar o governador Silval Barbosa (PMDB), que chegou a ser citado em escutas da PF. "Não há nada que justifique a abertura da CPI", afirmou José Riva (PSD), presidente da Assembleia mato-grossense.

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