Renan Filho diz que rodízio na presidência da Câmara precisa ser 'rediscutido'

Filho do presidente do Senado, governador eleito de Alagoas se manifesta contra acordo firmado entre PT e PMDB que previa revezamento na presidência da Casa

Erich Decat e Nivaldo Souza, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 13h14

Brasília - Deputado federal e governador eleito de Alagoas, Renan Filho (PMDB) considerou nesta terça-feira, 28, que o rodízio acordado com o PT para a presidência da Câmara não deverá ser obrigatório na próxima legislatura. Os parlamentares eleitos no último dia 5 de outubro tomam posse no Congresso no início de fevereiro de 2015, quando a discussão sobre a composição da Mesa Diretora das duas Casas deverá entrar na ordem do dia. Em entrevista ao Broadcast Ao Vivo, Renan Filho falou sobre a formação da nova bancada e a relação do PMDB com o governo federal. A legenda ocupa a vice-presidência da República com Michel Temer, presidente nacional do PMDB. 

"Acho que essa questão da indicação da presidência da Câmara precisa ser rediscutida. O rodízio não é eterno. Não está escrito em lugar algum que tem que ser um presidente do PT e depois do PMDB. Isso pode ser sempre rediscutido", ressaltou o governador eleito que é filho do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Em 2010, PT e PMDB firmaram acordo que previa que os partidos se revezarem na presidência da Câmara.

Em entrevista ao Broadcast Político na segunda, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), criticou a possibilidade de o PT também assumir o comando da Câmara na próxima legislatura. "Não tem sentido você defender que o partido que ganhou a eleição fique também com o comando do Congresso porque seria uma hegemonização do poder na mão no PT", afirmou Cunha.

Na avaliação de Renan Filho a situação no Senado é diferente da encontrada na Câmara, uma vez que o regimento prevê a preferência de escolha na Mesa Diretora para a maior bancada eleita. "No Senado a questão é diferente, porque é regimental. A maior bancada indica o presidente da Casa e a outras bancadas indicam os cargos da Mesa. De forma que há um entendimento mais claro que cabe ao PMDB indicar o próximo presidente porque foi o partido que retirou das urnas o direito para isso, pois elegeu o maior número de senadores", defendeu. 

Questionado sobre a relação que a legenda deverá ter nos próximos quatro anos com a presidente Dilma, o governador eleito ressaltou que o partido também precisar se posicionar em temas como a reforma política, assunto defendido por vários partidos, mas que não encontrou ainda um texto de consenso. 

"Reforma política deve ser uma das bandeiras do PMDB e o partido não precisa concordar com tudo que o governo envie para o Congresso. Um exemplo disso, o senador Renan Calheiros, presidente do Congresso, colocou ontem que não concorda com a forma que a presidente da República quer fazer a reforma política. Ela tem que ser feita pelo Congresso e depois ser feito um referendo, aí sim legitima todos os interesses. O Congresso é quem tem a prerrogativa", afirmou.

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