Relatório é revanche do mensalão, diz Perillo

Para tucano, Cunha quer prejudicá-lo por ter 'denunciado' esquema no governo Lula

RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO / GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h05

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), acusou ontem o relator da CPI do Cachoeira, deputado federal Odair Cunha (PT-MG), de querer prejudicá-lo por ter feito "uma denúncia relativa ao mensalão" em 2005. O tucano deve decidir hoje se vai procurar a Justiça para evitar o indiciamento pretendido pelo petista em seu relatório, segundo informação de sua assessoria de imprensa.

"O relator, que é ligado a um partido político, tem um único objetivo: me prejudicar politicamente, porque lá atrás eu fiz uma denúncia relativa ao mensalão", disse Perillo, ao visitar ontem um hospital de Goiânia. Em 2005, quando o escândalo da compra de apoio político ao governo Luiz Inácio Lula da Silva veio a público, o tucano exercia o mandato de senador e disse ter alertado o então presidente sobre o esquema.

"Os envolvidos no mensalão estão sendo condenados. Eu tinha razão quanto a isso", disse Perillo. "O que não pode é essa tentativa de vingança permanente. O que algumas pessoas querem, nesse momento, é tentar politizar e prejudicar alguns por serem adversários."

No relatório, Cunha atribui cinco crimes a Perillo, incluindo formação de quadrilha, corrupção passiva e tráfico de influência. O governador é suspeito de ligação com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A Polícia Federal chegou a interceptar uma ligação de Perillo ao contraventor, para desejar feliz aniversário - o tucano nega ter ajudado o esquema de Cachoeira em seu governo.

Ao prestar depoimento à CPI, em junho, Perillo também havia feito referência ao episódio de 2005. "Eu nunca imaginei que o fato de eu ter dado um aviso geraria na minha vida tanto ódio e tanta perseguição", afirmou aos parlamentares da comissão.

Perillo voltou a questionar os poderes da CPI para investigar governadores - para ele, só o Superior Tribunal de Justiça tem essa prerrogativa. O tucano foi o único incluído na lista de indiciados pelo relator. O petista Agnelo Queiroz (DF) e o peemedebista Sérgio Cabral (RJ) não constam da relação de Cunha. "Lá (no STJ) não há politicagem e não há direcionamento, e as análises das investigações são técnicas", disse Perillo.

Mais indiciados. Também indiciado pelo relator da CPI, o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) informou ontem, por meio de sua assessoria, que só vai comentar o pedido de indiciamento após a leitura do relatório da CPI. O parlamentar admitiu ser amigo pessoal de Cachoeira, mas nega ter atuado em favor dos interesses do contraventor.

O prefeito de Palmas, o petista Raul Filho, também incluído na lista de indiciados do relator, disse que só se pronunciará após a aprovação do documento na comissão.

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