'Relatório é de tendências', diz presidente do Coaf ao TJ

Rodrigues afirma a desembargador que só revela nomes de magistrados mediante 'ordem judicial'

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 03h01

No Tribunal de Justiça de São Paulo, símbolo da resistência ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) minimizou o alcance e o impacto do relatório que aponta R$ 855 milhões em movimentações atípicas da toga em todo o País - R$ 116 milhões envolvendo supostamente servidores da corte paulista. "É um relatório de tendências, uma estatística, não é relatório de inteligência, não aponta nomes, nem de juiz, nem de desembargador", declarou Antonio Gustavo Rodrigues, que dirige o Coaf.

O documento é a peça chave do CNJ na ofensiva sem precedentes em busca de malfeitos nos tribunais. "É um levantamento, em coordenação com o CNJ, tentando simplesmente tirar uma fotografia para comparação com a base de dados do Coaf", anotou Rodrigues que visitou o TJ e foi recebido por seu presidente, o desembargador Ivan Sartori.

Porém, ao ser provocado pelo presidente do TJ a revelar nomes, Rodrigues sonegou dados. "O senhor vai me conseguir uma ordem judicial", sugeriu.

Sartori disse ter informações de que a investigação sobre magistrados avança. "O CNJ prosseguiu, entrou em detalhes, tenho notícia até de solicitações junto ao Banco Central de quebra de sigilo bancário."

Desde que tomou posse no comando da maior corte do País, início de janeiro, Sartori empreende cruzada pessoal. Quer saber quem são os magistrados citados em irregularidades para tomar providências. Não admite que lancem suspeitas sem provas contra a corte. Cobra nomes. Pediu à ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, "todos os dados de que dispuser relativos a procedimentos para apurar quaisquer tipos de infração que envolvam desembargador deste tribunal".

Ontem, em seu gabinete, foi incisivo ao se dirigir ao presidente do Coaf. "Esse relatório aponta alguma infração por parte de magistrado de São Paulo?" Cerimonioso, Rodrigues respondeu: "Não, de jeito nenhum. Esse relatório é um exercício estratégico. Produzimos relatórios e mandamos para a polícia ou para o Ministério Público. Pode ser crime? Pode. Mas pode não ser".

Disse acreditar que o relatório "foi mal interpretado pela imprensa". Aos jornalistas, não dissipou categoricamente suspeitas sobre nomes da corte. "Não há mesmo nada de irregular em São Paulo?" "Não foi isso que eu disse. Tem dois casos suspeitos em São Paulo, mais badalados, mas tem mais coisas e poderão ter outras. Dados específicos só posso fornecer em certas situações ou com uma ordem judicial. No Rio tem o caso de um doleiro que virou escrevente, e o CPF dele continua lá."

Questionado sobre os R$ 116 milhões, o homem do Coaf foi evasivo. Citou duas situações, nenhum nome. Um caso, disse, envolve investidor que pertence aos quadros do Judiciário, foi sócio de empresa. "O segundo caso é mais complicado, aparentemente o cônjuge de um servidor tinha uma empresa que estava envolvida em coisas estranhas, tipo vendendo títulos públicos falsificados." Defendeu o Coaf. "Isso não é uma jabuticaba."

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