Relatório do Brasil fala de mortes e censura prévia

Lido ontem pela ex-presidente da Associação Nacional de Jornais, Judith Brito, o relatório sobre o Brasil da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP adverte que "é motivo de especial alarme o aumento de assassinatos de jornalistas no exercício da profissão". Destaca ainda "a recorrência de decisões judiciais" e constata que, em períodos eleitorais, "a censura prévia por via judicial, aplicada em geral por magistrados de 1ª instância, aumenta historicamente".

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2012 | 03h01

O documento, preparado pela ANJ, menciona duas mortes de jornalistas; 15 casos de agressão, 6 de censura prévia, 2 ameaças, 1 caso de prisão e 1 atentado. O alto número de agressões confirma que, em período eleitoral em que seguranças, candidatos e partidos hostilizam sistematicamente repórteres e fotógrafos.

As mortes mencionadas no relatório foram as de Valério Luiz, radialista da Rádio Jornal de Goiânia, em 5 de julho, e de Décio Sá, jornalista e blogueiro do Estado do Maranhão, em 23 de abril.

Embora não se mencione o caso da censura judicial ao Estado - pois o relatório só cobre fatos dos últimos seis meses -, ela foi motivo de perguntas da plateia. Judith Brito esclareceu que o caso está aguardando "o humor de um juiz" em Brasília. Entre os casos de censura prévia estão os blogs dos jornalistas João Bosco Rabello, diretor da Sucursal de Brasília do Estado, e Ricardo Noblat, de O Globo. Ambos foram obrigados a tirar do ar notícias que denunciavam candidatos no primeiro turno da campanha eleitoral. As sentenças acabaram revogadas.

No item ameaças foi mencionado o caso do jornalista André Caramante, da Folha de S. Paulo, que deixou o País para evitar riscos. A fonte de ataques a Caramante é o recém-eleito vereador Paulo Adriano Telhada, que se sentiu ofendido por reportagens sobre suas ligações com a Rota. / G.M.

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