Relator pede processo contra Fernando Pimentel

Fábio Coutinho, da Comissão de Ética da Presidência, quer esclarecimentos sobre empresa de consultoria do ministro, mas pedido de vista adia decisão

RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2012 | 03h08

O conselheiro Fábio Coutinho, relator do caso do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, defendeu ontem que a Comissão de Ética da Presidência da República abra um processo e peça esclarecimentos ao petista, envolvido em denúncias por conta da prestação de serviços de consultoria. Um pedido de vista, no entanto, deu mais duas semanas de sobrevida ao ministro. A próxima reunião da comissão será dia 26.

"(O relator Fábio Coutinho) entendeu que se reclamava o prosseguimento do caso, abrindo-se o procedimento", disse o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence. Participaram da reunião seis conselheiros, entre eles Américo Lourenço Lacombe, nomeado pela presidente Dilma Rousseff na semana passada.

De acordo com Sepúlveda, os demais membros da comissão não chegaram a se manifestar sobre o caso, já que o pedido de vista foi feito logo após a leitura do relatório.

A oposição vê semelhanças entre a situação de Pimentel e a do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que caiu após o patrimônio ter sido ampliado em 20 vezes com a prestação de serviços de consultoria. Pimentel é alvo de denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões entre 2009 e 2010.

Pimentel é um dos interlocutores mais próximos de Dilma, que tem enfrentado nos últimos dias o momento de maior crise política do seu governo, ao ser confrontada com as insatisfações e retaliações da base aliada.

Pimentel esteve com a presidente ontem pela manhã. Ele deve acompanhar o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em viagem hoje para o México, onde vai tratar de acordo automotivo.

Banco. A Comissão de Ética também decidiu abrir procedimento para apurar a conduta do ex-vice-presidente de Atacado, Negócios Internacionais e Private Bank do Banco do Brasil, Allan Toledo. Ele foi demitido em dezembro passado pelo Conselho de Administração do banco.

Uma das razões da demissão teria sido a sua postura contrária à do presidente do BB e da maioria dos diretores, o que o teria levado a um isolamento.

Em fevereiro, o Ministério da Fazenda determinou à direção do BB a abertura de uma sindicância para apurar possível vazamento de sigilo bancário na instituição em decorrência da guerra pelo comando da estatal e do fundo de pensão de seus funcionários, a Previ.

A Comissão de Ética também aplicou ontem "censura ética" ao ex-ministro Wagner Rossi por conta do uso irregular de aeronaves. Essa punição serve como uma "mancha" no currículo de servidores públicos.

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