Relator de CPI cogita inclusão de laranjas

Depois de alterar documento, Cunha acena a independentes com pedido de investigação de empresas que receberam verba da Delta

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h01

Sem votos para aprovar o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da comissão, estuda ceder aos apelos de um grupo de parlamentares que se denominam "independentes" e incorporar no texto um pedido para o Ministério Público investigar 21 empresas laranjas que receberam R$ 545 milhões da empreiteira Delta Construções, nos últimos cinco anos.

Integrado pelos deputados Miro Teixeira (PDT-RJ), Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Rubens Bueno (PPS-PR) e pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT), o grupo negocia a inclusão do "laranjal" em troca dos votos favoráveis ao relatório final da CPI. "Nossos cinco votos são decisivos e podem ser a diferença entre aprovar e não aprovar o relatório", disse Onyx.

Cunha ficou de analisar a reivindicação dos independentes e dar uma resposta na terça-feira, véspera da data marcada para a votação do relatório final da CPI. A aliados, Cunha admitiu que poderá abarcar a reivindicação do grupo no texto final, apesar de estar certo que sua proposta já contempla a investigação das empresas fantasmas que fizeram transação com a Delta Construções.

No documento, o relator recomenda ao Ministério Público que investigue 117 empresas, entre elas a empreiteira, que movimentaram R$ 84 bilhões nos últimos dez anos.

O voto dos independentes é essencial para que Cunha consiga aprovar o documento. Parte da base aliada, em particular o PMDB, se aliou ao PSDB para rejeitar o relatório integralmente ou sequer votar o texto. Um dos argumentos para derrubar o documento é o pedido de indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, por seis crimes.

Governistas e tucanos alegaram que Cunha "politizou" o relatório ao propor o indiciamento apenas de Perillo, deixando de fora o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz.

Oposição. Integrantes da base e de oposição também trabalham para rejeitar o relatório em sua totalidade e, dessa forma, poupar Fernando Cavendish, dono da Delta. Cunha pediu o indiciamento do empresário por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Assessores da CPI alertaram ainda que a derrubada do relatório inviabiliza o uso pelo Ministério Público nos processos dos dados e sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pela comissão ao longo das investigações. Se for rejeitado, tudo será considerado "prova ilegal".

Na quarta-feira, Cunha desistiu de pedir o indiciamento de cinco jornalistas - entre eles, Policarpo Júnior, da revista Veja - e do pedido de investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

Com a retirada desses dois pontos polêmicos, o relator conseguiu conquistar alguns votos para seu parecer. À exceção do PT e do ex-presidente Fernando Collor de Mello, as duas propostas foram bombardeadas tanto por aliados como pela oposição, e estavam sendo usadas como argumento para derrubar a totalidade do relatório. / E.L.

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