Relator adianta posição sobre temas centrais

Barbosa indica que deve considerar ilegais as operações bancárias envolvendo o Rural e as agências de Valério

EDUARDO BRESCIANI, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h06

Apesar do voto de forma "fatiada", o relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, vem antecipando sua posição sobre alguns dos temas centrais do julgamento. Para ele, o esquema foi abastecido com recursos públicos, os empréstimos no Banco Rural foram simulados e a instituição montou um sistema de lavagem de dinheiro junto com o publicitário Marcos Valério.

Barbosa já deu amostras também de que não aceitará a tese de caixa 2 para justificar o recebimento de recursos, nem que os acusados não soubessem que o dinheiro vinha da agência de Valério. O relator deixou clara a sua posição sobre os empréstimos, ao falar ontem sobre o que considera desvios de recursos no Banco do Brasil. "A SMPB, a DNA e a Graffiti simularam empréstimos, principalmente junto ao Banco Rural, em importante etapa na lavagem de recursos do Banco do Brasil", afirmou. "As empresas não tinham capacidade financeira para realizar empréstimos com valores tão elevados."

Foram denunciados por gestão fraudulenta relativa à concessão dos empréstimos quatro ex-dirigentes do Banco Rural: Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Vinicius Samarane e Ayanna Tenório. Eles sustentam a legalidade, mas alegam também não ter vinculação direta com essa ação. Este será o próximo item a ser apreciado pelo STF. Os mesmos ex-dirigentes são também processados por lavagem de dinheiro.

Ontem, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira entregou novo memorial ao STF rebatendo a acusação contra Ayanna Tenório. Diz que ela ingressou no Rural em 2004 e não participou da celebração dos contratos de mútuos com as empresas de Marcos Valério com o PT e "jamais deles tratou".

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