Relações mais que azedas

Não só a CPI em curso azeda as relações do governo com o PMDB, como sintetizou o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), ao oferecer proteção ao governador do Rio, Sérgio Cabral, no célebre torpedo flagrado por uma câmera de televisão.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h07

A demora no preenchimento de cargos, em parte pela resistência da presidente Dilma Rousseff em politizar algumas áreas técnicas e, em parte, pelo condicionamento de vagas às negociações eleitorais, podem responder por recentes revezes do governo no Congresso e projetam tempos mais difíceis com o principal parceiro da aliança e uma parte da base excluída do processo decisório.

Pior: o PMDB tem certeza de que o Planalto trabalha contra seus candidatos à presidência da Câmara (Henrique Alves) e do Senado (Renan Calheiros). A percepção do partido é que o governo costura a formação de um bloco reunindo PT, PSB, PSD e PC do B para eleger o próximo presidente da Câmara. No caso do Senado, um nome do PMDB é irreversível, mas o governo quer impedir que este seja Renan Calheiros.

Nas últimas semanas, duas medidas provisórias caducaram - a 556, que incluía como "contrabando" a inclusão das obras do PAC no Regime Diferenciado de Contratações (RDC)), que já vigora para a Copa; e a 557, criando o bolsa-gestante de R$ 50, programa de apelo popular gerado no Ministério da Saúde.

Para agravar, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, extinguiu as reuniões com lideranças partidárias, concentrando as negociações nos líderes do governo na Câmara e no Senado, respectivamente Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Eduardo Braga (PMDB-AM).

Como gato

escaldado

Depois da rejeição do nome de Bernardo Figueiredo, há três meses, para o comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Planalto ainda teme novas derrotas no Senado. Por isso, retarda o envio de mensagem com o indicado do PMDB para uma das vagas da Agência Nacional de Saúde (Anvisa), até que o PT indique o seu eleito para a segunda. O Planalto acha que tem menos risco de derrota se as indicações forem enviadas e votadas em bloco.

A partilha

Alvo de investigação por desvios superiores a R$ 100 milhões, o Banco do Nordeste, controlado pelo PT do Ceará, é disputado agora também por PMDB e PSB. Sob suspeita, parte da diretoria será substituída. O PSB condiciona o apoio a Fernando Haddad, em São Paulo, à cobiçada presidência do banco, alterando o acordo feito no governo Lula, que lhe deu o comando da Chesf (Companhia do São Francisco), ao PMDB, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e, ao PT, justamente o Banco do Nordeste. Sem definição

A menos de um mês do início oficial da campanha eleitoral, os cenários estão indefinidos em quatro importantes capitais. Em São Paulo, o PSB sinalizou o apoio a Fernando Haddad, mas não formalizou. Aguarda a presidência do Banco do Nordeste. Também em SP, o PC do B condiciona a aliança com o PT ao apoio a Manuela D'Ávila em Porto Alegre. No Recife, o PT continua sangrando e o PSB ameaça lançar candidato próprio. E em Fortaleza, PSB e PMDB rejeitam o candidato da prefeita Luizianne Lins (PT).

Ao rei, nada

Marta Suplicy disse a senadores que a candidatura de Fernando Haddad, imposta por Lula, minou a chapa que negociava com o PMDB, com Gabriel Chalita de seu vice. Por isso, não vai mesmo atender aos apelos feitos por Lula para entrar de corpo e alma na campanha do partido em São Paulo.

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