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Relação com sigla é institucional, diz ex-presidente

Um projeto político apoiado e incentivado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é hoje o principal entrave para que ele emplaque sua aposta mais ousada nesta sucessão municipal. Encabeçado por líderes da Igreja Universal do Reino de Deus, o PRB de Celso Russomanno, que integra a base aliada da presidente Dilma Rousseff e chefia um ministério, rouba votos tradicionais do PT em São Paulo e, em última instância, pode até impedir que Fernando Haddad, afilhado político de Lula, chegue ao segundo turno da disputa pela Prefeitura da capital paulista.

FERNANDO GALLO , ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2012 | 03h10

Apoiado por evangélicos, catapultado pela projeção em programas da TV Record, da Universal, e principal catalisador da insatisfação do eleitorado paulistano com a gestão de Gilberto Kassab (PSD), Russomanno atingiu na semana que passou 35% das intenções de voto na cidade, segundo pesquisa Ibope. O tucano José Serra, padrinho político de Kassab, tem 19% e divide tecnicamente a segunda colocação com Haddad, que tem 16% - a margem de erro do levantamento é de três pontos para mais ou para menos.

A eleição de Haddad é vista como estratégica pelo PT para o plano do partido de conquistar pela primeira vez, em 2014, o governo do Estado, que está sob o comando há quase duas décadas de seu principal adversário, o PSDB.

Lula é personagem do início da história do partido de Russomanno. O ex-presidente deu aval para que o então vice-presidente José Alencar se filiasse ao PRB em 2005, ano de sua criação, e alojou a legenda na vice de sua campanha à reeleição em 2006. O líder petista também sempre manteve boas relações com a TV Record durante seus oito anos no Planalto.

O incentivo de Lula ao projeto político do PRB foi seguido, porém, de um estranhamento. A tensão entre os petistas e setores evangélicos, que têm na institucionalidade partidária o PRB como uma das pontas de lança, ficou evidente no início deste ano.

A preocupação com o crescimento dos setores conservadores representados pelos evangélicos foi vocalizada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. O ministro avaliou, durante o Fórum Social Mundial, que o governo tinha dificuldade de se comunicar com a nova classe média que ascendeu no governo Lula, e que o Estado deveria fazer uma "disputa ideológica" por essa classe, que estaria sob hegemonia de setores conservadores - posteriormente, Carvalho afirmou que suas declarações foram "distorcidas".

O ministro foi alvejado por vários segmentos religiosos, incluindo a Universal. Duas semanas depois da polêmica, a presidente Dilma convidou oficialmente o PRB, que cobrava a fatura do apoio à candidatura dela em 2010, a integrar seu primeiro escalão. A presidente indicou o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo licenciado da Universal, para o Ministério da Pesca.

'Emparedada'. Para o sociólogo Ricardo Mariano, professor da PUC-RS e especialista em religião, o PT passou, na campanha presidencial de 2010, a perceber "o perigo de segmentos que estavam ampliando seu poder político e midiático" que, segundo ele, "emparedaram Dilma" na eleição. "O partido começou a se dar conta de que ele estava fomentando isso à medida que Lula vinha tecendo, desde 2002, uma aliança com esse segmento. Era considerada uma aliança positiva, sobretudo em 2006, quando Lula conseguiu mais apoio evangélico do que o Alckmin." Apesar do impasse, Marcos Pereira diz que Dilma "prestigia" o PRB. "Temos um ministério. Ela nos prestigia conforme o tamanho do partido."

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, sustenta que, "do ponto de vista da Casa", a relação com o PRB, "é muito boa". "E é público que é um partido que tem um ministério. Isso indica uma boa relação." Ele minimizou o impasse na campanha paulista. "Os partidos têm maturidade para separar aquilo que é um projeto nacional daquilo que é uma disputa eleitoral."

O governo afirmou, em nota, que se relaciona com o PRB "da mesma maneira que faz com os demais partidos que compõem sua coalizão política" e que mantém com a Record "uma relação institucional similar à que é mantida com as demais empresas do setor de mídia" por se tratar de "uma das maiores empresas de comunicação do País". Também em nota, Lula sustentou ter mantido "com o PRB, a TV Record e o líder da Universal uma relação republicana, enquanto presidente da República". Lula afirmou ainda, por meio da nota, que não endossou a ida de José Alencar para o PRB porque aquela foi uma decisão que cabia exclusivamente ao ex-vice-presidente. / F.G. e R.A.

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