Fotos: Estadão
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Registro contradiz presidente do Cade

Apesar das negativas, deputado estadual do PT que denunciou cartel de trens esteve em Brasília com presidente do órgão que investiga o caso

Andreza Matais e Fabio Fabrini, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2013 | 02h08

BRASÍLIA - Um dos principais denunciantes do cartel do metrô em São Paulo, o deputado estadual licenciado Simão Pedro (PT) levou informações sobre o caso ao presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinícius Carvalho, meses antes de o órgão fechar com a Siemens um acordo de leniência, no qual a multinacional admitiu irregularidades em troca de redução de futuras sanções.

A tratativa entre Carvalho e Simão Pedro era negada por ambos até ontem, quando foram confrontados com registros da porta de entrada do Cade, em Brasília, e com um "post esquecido" do deputado no Twitter.

Omitidos das agendas oficiais de ambos, os encontros de Carvalho com Simão teriam ocorrido em 19 de setembro e em 6 de dezembro de 2012, meses antes do acordo de leniência que reavivou as investigações sobre as suspeitas de cartel nos contratos de trens em governos tucanos em São Paulo.

Assim que o acordo foi revelado pela a imprensa, o governo Geraldo Alckmin passou a acusar o Cade de fazer "vazamentos seletivos" a fim de prejudicar o PSDB, adversário do PT.

Comissão. O presidente do Cade é investigado pela Comissão de Ética da Presidência por omitir em quatro currículos oficiais, entre eles o analisado na sabatina que viabilizou sua nomeação, ter sido chefe de gabinete de Simão Pedro na Assembleia paulista entre março de 2003 e janeiro de 2004. Essa informação foi revelada pelo Estado em setembro.

Foi quando o elo veio à tona que o presidente do Cade e o deputado negaram ter se encontrado ou tratado do assunto após Carvalho assumir o cargo, em julho de 2012. "Nossa, faz muitos anos que eu não falo com ele (Simão Pedro)... Como presidente do Cade nenhuma vez ele foi lá... Ele, até onde eu sei, tinha umas denúncias que ele tinha feito ao MP. Nunca fez denúncia ao Cade", afirmou Carvalho, em 24 de setembro passado.

O deputado também assegurou não ter falado com o ex-assessor, nem por telefone, após ele assumir o Cade. "Quero te reafirmar: não tive contato com o Cade nesse período", sustentou, atribuindo a uma "coincidência danada do destino" o caso ter aportado no Cade após a nomeação de Carvalho.

Mas o próprio Simão Pedro informou, no Twitter, o primeiro encontro com o ex-assessor, em setembro de 2012. "Tenho audiência c/ Vinícius Carvalho, presidente do Cade, sobre formação de cartel nas obras do Metrô/SP", avisou, pouco antes de ir a Brasília, com passagens reembolsadas pela Assembleia.

Registros da portaria do Cade em Brasília, obtidos pelo Estado, indicam outro encontro entre os dois, em 6 de dezembro.

Procurado nessa segunda-feira, 4, o deputado mudou a versão. "Diante de evidências de formação de um cartel, resolvi, dentro das prerrogativas de meu mandato, procurar o Cade", admitiu, em nota.

O Estado já havia pedido os registros de entrada no prédio do Cade por meio da Lei de Acesso à Informação, mas eles foram negados. O tuíte de Simão Pedro foi apagado ontem.

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