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Reforma, mais do mesmo

Não se pode, a rigor, classificar de reforma ministerial a dança das cadeiras iniciada pela presidente Dilma Rousseff, na última sexta-feira, se compreendido o conceito como um movimento muito mais amplo em que governos procuram racionalizar custos e aumentar a eficiência da máquina administrativa. 

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2013 | 02h05

Dada como certa desde o segundo semestre do ano passado, a reforma nasce sobre o signo da negação, mesmo quando finalmente iniciada, já com o último ano útil de gestão chegando ao final de seu primeiro trimestre. Ela não é admitida como tal, no que talvez resida a única coerência de seus executores. Afinal, não reforma nada, tão somente reacomoda as forças políticas.

Não por acaso, seu anúncio obedeceu a uma estratégia de esvaziamento de expectativas, ocorrendo numa sexta-feira ao fim do dia, num esforço invertido de marketing para dar-lhe menor repercussão. Se possível, ocorreria em segredo, nos moldes do conclave papal.

A condenação de véspera do empresário Jorge Gerdau, chefe da Câmara de Gestão da Presidência, à preservação do modelo ministerial inchado (39 pastas) deve ser vista menos como protesto e mais como alerta para o obstáculo que representa ao desafio do governo de melhorar seus resultados a tempo de preservar seu favoritismo em 2014. 

É nesse ponto que o temor de Gerdau encontra sintonia com o discurso do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também em campanha à presidência, explícito na sua convicção de que Dilma começa a perder a corrida contra o tempo para reverter a má gestão que o marketing oficial maquia com medidas populares de varejo.

Simpatia indiscreta

Não escapa, nesse momento, aos interlocutores mais constantes de Jorge Gerdau sua simpatia pela gestão de Eduardo Campos, primeiro governador a adotar as diretrizes do Movimento Brasil Competitivo, criado pelo empresário. Com a reserva que lhe impõe a condição de presidente de um órgão auxiliar da Presidência, Gerdau tem sido pródigo em elogios ao governo pernambucano por ter priorizado as areas de saúde, educação, segurança pública, inovação e, principalmente, educação, como recomenda seu programa. Nesta última, chega a comentar entusiasmado que Campos sabe de cor os dados de cada escola pública do Estado. De resto, uma extensão da avaliação de parcela expressiva do empresariado.

Sem retorno

O palanque duplo no Rio, com as candidaturas do vice-governador Luiz Fernando Pezão e de Lindbergh Farias, já fez o PT decidir romper com o PMDB de Sérgio Cabral. O anúncio virá mais tarde, para não precipitar a perda de cargos no governo e o desemprego de petistas.

De olho...

A missão prioritária do novo ministro da Agricultura, Antônio Andrade (PMDB), será acelerar a nova política para o setor, que a presidente Dilma Rousseff encomendou à Casa Civil. Dilma quer uma nova logística de armazenamento de grãos, com foco nas exportações, uma das maiores preocupações dos produtores rurais.

...na produção

Já os socialistas nunca estiveram tão afinados com o agronegócio. Em Goiás, o partido foi entregue a José Batista Júnior, do grupo JBS-Friboi, controlador do maior frigorífico do planeta. No Mato Grosso, o partido deve filiar o senador Blairo Maggi (PR-MT), maior produtor de soja do mundo. E no Mato Grosso do Sul, costura o apoio à candidatura do senador Waldemir Moka (PMDB), do agronegócio, ao governo.

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