Reforma de Dilma emperra alianças de Haddad

Partido pressiona presidente a selar destino de PR e PDT na Esplanada para fechar acordos eleitorais com os partidos em São Paulo

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h05

Sem conseguir fechar alianças de peso para impulsionar a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, o comando da campanha petista pressiona a presidente Dilma Rousseff a atender o PR e o PDT na reforma ministerial. A avaliação interna é a de que Haddad precisa anunciar logo o apoio de um partido aliado para criar fato político e neutralizar comentários de que o PT depende do PSD do prefeito Gilberto Kassab.

O PT deixou até de reivindicar o Ministério do Trabalho, ocupado interinamente por Paulo Roberto Pinto (PDT) desde a queda de Carlos Lupi, em dezembro. Motivo: a direção petista sabe que o PDT não quer trocar de cadeira na Esplanada e decidiu não mais esticar a corda.

A recondução de um nome indicado pelo PR para o Ministério dos Transportes também é considerada fundamental para o partido fechar coligação com Haddad em São Paulo. Uma aliança com o PR pode garantir pelo menos três minutos de tempo de televisão no horário gratuito para o ex-ministro da Educação, pouco conhecido do eleitorado.

"Nós acreditamos que a presidente Dilma tem interesse em recompor com o PR e, sendo assim, esperamos continuar à frente dos Transportes", disse o deputado Milton Monti (PR-SP).

No PDT, porém, a disposição para subir no palanque de Haddad parece mais distante. "Se depender de mim, o Haddad não vai sair do lugar", afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. "Não tem acordo no primeiro turno nem com cargo nem sem cargo."

Vice. Longe dos holofotes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comanda as articulações sobre a sucessão em São Paulo. Embora mostre empolgação com a proposta de Kassab, que chegou a sugerir um vice do PSD para Haddad, Lula não desistiu de convencer o PMDB a apoiar o PT na capital. No diagnóstico de Lula, o deputado Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB, seria o vice ideal para seu afilhado.

Uma ala do PT, porém, avalia que o candidato a vice pode sair do PR do vereador Antonio Carlos Rodrigues, caso Haddad não consiga atrair o PMDB e seu invejável tempo de TV. Na prática, o comando da campanha petista não acredita e nem quer uma aliança com Kassab.

"O PT, nesse momento, está buscando entendimento com partidos da base aliada do governo Dilma", afirmou Haddad ao Estado.

A cúpula do PR fez da reforma ministerial seu trunfo político e só espera um sinal da presidente para declarar apoio a Haddad. O partido quer trocar o titular dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que assumiu o ministério em julho, após a queda de Alfredo Nascimento, outro nome envolvido em denúncias de corrupção no governo.

Apesar de Passos ser filiado ao PR, a legenda o considera como "cota pessoal" de Dilma e pede sua substituição para retornar à base aliada governista. Até agora, a bancada do PR na Câmara apresentou dois nomes para a cadeira ocupada por Passos: o do deputado Milton Monti e o de seu colega Luciano Castro (PR-RR). Já para o Ministério do Trabalho a disputa é entre o secretário-geral do PDT, Manoel Dias, e o deputado Vieira da Cunha (RS), amigo de Dilma.

Indiferente à agonia petista, a presidente não demonstra pressa em concluir a reforma ministerial, e as trocas estão sendo feitas a conta-gotas.

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