Reeleição de Beto Richa abre discussão sobre governo estadual

Fortalecido com 77,27% dos votos em Curitiba, prefeito deixa no ar possibilidade de concorrer a governador

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo,

05 de outubro de 2008 | 20h04

A vitória de Beto Richa (PSDB), de 43 anos, para um segundo mandato à frente da prefeitura de Curitiba, dá início à discussão sobre a sucessão no governo do Estado em 2010. O prefeito reeleito deixou no ar a possibilidade de estar nessa disputa. "Eu coloquei já desde o ano passado que seria candidato à reeleição se a população de Curitiba apontasse que eu deveria dar continuidade ao mandato através de pesquisa de opinião pública", disse. "Atendi essa convocação e fui candidato, sei que é um mandato de quatro anos e ele pertence às pessoas que me elegeram."   Veja também: Beto Richa vence em Curitiba Cobertura completa das eleições 2008  Especial: Perfil dos candidatos  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  TSE registra 168 prisões e casos de 509 irregularidades  Imagens da votação pelo Brasil    Com 77,27% dos votos válidos (778.514 votos), ele sai das urnas com força para concorrer ao Palácio Iguaçu. Mas a prudência adotada nas entrevistas deve-se também à intenção dos dirigentes dos 11 partidos que compõem a coligação de manter a unidade. Entre os pretendentes à candidatura a governador está o senador Osmar Dias (PDT) e, no ninho dos tucanos, também o senador Álvaro Dias.   "Graças a Deus não sofro deste mal que acomete toda a classe política que é a ansiedade, projetos já futuros, pulando etapas que temos que vencer obrigatoriamente, eu faço política com muita tranqüilidade", afirmou Richa.   A candidata da coligação Curitiba Para Todos (PT/PHS/PSC/PTC/PRB/PMN), Gleisi Hoffmann, apesar da derrota, é um dos principais nomes do PT para a disputa. Ela recebeu 18,17% dos votos (183.027 votos). Desta vez, o partido não quer abrir mão de apresentar um candidato ao governo.   Além de Gleisi, surgem os nomes de seu marido, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e do diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, Jorge Samek. Ela justificou a vitória de Richa em razão da boa avaliação que a população fez do prefeito, da boa imagem que a prefeitura de Curitiba tem e da conjuntura econômica e política nacional "que leva quem está no poder a ser beneficiado."   A oposição a Richa teve dificuldades de levar as eleições para o segundo turno em Curitiba devido também à fragilidade dos outros candidatos, sobretudo o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Moreira (PMDB), que conseguiu apenas 1,9% (19.157 votos), ficando na terceira colocação. Indicado pelo governador Roberto Requião, ele não teve apoio mais firme nem mesmo do governador, que preferiu percorrer municípios de médio e pequeno porte no interior do Estado.   "O PMDB vai fazer a grande maioria dos prefeitos municipais e isso é muito bom", destacou Requião na manhã de ontem. Com isso espera alicerçar o terreno para sua sucessão. O mais provável é que o candidato seja o atual vice-governador, Orlando Pessuti. Sobre o baixo desempenho de Moreira, o governador preferiu colocar a culpa na imprensa, uma atitude que tem se tornado comum por parte dele. "A mídia toda fechou com Beto Richa", justificou.   Entre os outros candidatos, Maurício Furtado (PV) ficou na quarta colocação, com 0,88% dos votos (8.906 votos). Ricardo Gomyde (PC do B) conseguiu 0,71% (7.187 votos), seguido de Fábio Camargo, da coligação Uma Só Curitiba (PTB/PRTB), com 0,53% (5.366 votos), Bruno Meirinho, da Frente de Esquerdas Curitiba (PSOL/PCB/PSTU), com 0,44% (4.464 votos), e Lauro Rodrigues (PT do B), com 0,09% (888 votos). Os votos brancos somaram 5,98% (63.858 votos) e os nulos 3,71%% (39.672 votos). Houve 14,84% de abstenções (186.163 votos).   Força nas urnas   O engenheiro civil Beto Richa, filho do ex-governador e ex-prefeito de Londrina, José Richa, entrou no Executivo curitibano em 2000, quando se elegeu vice-prefeito na chapa que tinha como prefeito Cássio Taniguchi, então no PFL. Ele faz parte do mesmo grupo do ex-governador Jaime Lerner, que se mantém no poder municipal desde 1989.   "A população deu uma demonstração de generosidade para conosco e isso aumenta bastante minha responsabilidade de retribuir essa alta confiança com mais trabalho, empenho e muita seriedade com os recursos públicos", disse Richa.   Com a força adquirida nas urnas, o prefeito reeleito também se colocou à disposição para participar de campanhas de segundo turno em apoio a candidatos do PSDB e partidos aliados. "Se for convidado e puder ser útil estarei não apenas no Paraná, mas em outros lugares", afirmou. Richa disse que vai cumprir agenda hoje (06) na prefeitura e, a partir de terça-feira, deve tirar folga de cinco dias para viajar com a mulher, Fernanda. "Para refletir melhor e começar a montagem da equipe", destacou.

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