Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Rede pressiona Marina por neutralidade

Decisão da ex-ministra de apoiar Aécio no 2º turno causa desconforto no grupo, que teme fim do discurso da ‘nova política’

Isadora Peron e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 03h00

Quatro dias depois de terminar a eleição presidencial em terceiro lugar, Marina Silva deve anunciar nesta quinta-feira, 8, o seu apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB). Nesta quarta-feira, 7, o PSB, partido pelo qual a ex-ministra disputou a Presidência, decidiu ficar ao lado do tucano no 2.º turno. O grupo político de Marina, a Rede Sustentabilidade, porém, tem mostrado resistência em aceitar a ideia. 

Nesta quarta, integrantes do diretório nacional da Rede - partido que Marina tentou criar, mas teve o registro negado pela Justiça Eleitoral - fizeram uma reunião por teleconferência para deliberar sobre o assunto.


Na noite anterior, um grupo menor, que forma a Executiva da Rede, já havia se reunido para tentar tirar um indicativo sobre o assunto. De acordo com porta-voz do grupo, Walter Feldman, o único consenso ao qual conseguiram chegar, depois de mais de quatro horas de discussão, foi o de que não há como apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). 

Apesar dos aliados mais próximos de Marina defenderem a aliança com o tucano, Feldman admite que parte da Rede resiste à ideia. Segundo publicou a colunista do Estado Sonia Racy, 75% dos “sonháticos” defenderam que a ex-candidata deveria se posicionar contra a reeleição de Dilma, mas não, explicitamente, a favor de Aécio.

“A indicação que nós tiramos é que não vamos apoiar o atual governo. Aí o eleitor tem algumas opções. Ele pode dizer: ‘Eu não aceito o Aécio em hipótese alguma’, como parte da Rede está dizendo, e vai manifestar o seu voto da maneira que quiser, votando nulo ou branco, por exemplo. Isso é uma abertura mais ampla que uma decisão pró-Aécio”, afirmou Feldman. 

Os principais argumentos dos que resistem ao tucano são que o PSDB é um partido que não sinaliza avanços na área social e o fato de a candidatura de Marina ter se pautado pelo conceito de terceira via, contra a polarização tradicional entre o PT e o PSDB.

Consenso. Nos bastidores, alguns marineiros admitem que a dificuldade de a Rede tomar uma posição sobre o assunto se deve aos processos internos de decisão - o grupo trabalha com base no “consenso progressivo”, em que se chega às decisões por convencimento em torno de ideias e não por votação tradicional. Apesar do ritual, dizem, a tese defendida por Marina deve prevalecer, assim como aconteceu quando ela decidiu entrar para o PSB para apoiar a candidatura à Presidência de Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em agosto.

Outros integrantes da Rede indicaram também que antes de selar a aliança é preciso que Aécio dê sinais mais concretos que irá se comprometer com os pontos centrais defendidos pelo programa de Marina. Além de questões como a reforma política e o desenvolvimento sustentável, o grupo da ex-ministra quer que o candidato se comprometa com a reforma agrária e com o direito dos índios.

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