Rede não é situação nem oposição, diz Marina

Ex-senadora lança partido e afirma que candidatura em 2014 é uma 'possibilidade'

EUGÊNIA LOPES, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h04

A ex-ministra e ex-senadora Marina Silva começou ontem a coleta de assinaturas para criação de um novo partido político, que deve se chamar Rede Sustentabilidade. No ato de lançamento da sigla, a candidata derrotada ao Planalto em 2010 disse que a legenda não será "nem oposição, nem situação" em relação ao governo Dilma Rousseff e que uma nova disputa pela Presidência é uma "possibilidade".

Para os cerca de mil militantes e apoiadores da futura legenda, a candidatura da ex-ministra do governo Luiz Inácio Lula da Silva no próximo ano é mais que um sonho. "Brasil urgente, Marina presidente", gritaram os presentes ao ato.

Ao longo do dia, Marina fez discursos e deu entrevista com falas tomadas de menções ao meio ambiente e à ética na política. "Nós não seremos nem oposição nem situação à Dilma (Rousseff). Se a presidente estiver fazendo algo bom para o Brasil, nossa posição é favorável. Se ela for contra o Código Florestal, nossa posição é contrária", afirmou Marina, em um de seus discursos. "É um partido para questionar a si próprio. Não pode ser um partido para eleição", completou. "(O partido) não precisa ter postura de manada."

Em outra fala, Marina também disse que o novo partido não é "nem de esquerda, nem de direita, nem situação, nem oposição". "Estamos à frente", disse, em uma forma de marcar posição e realçar por que os integrantes da Rede Sustentável são "diferentes" dos demais políticos e partidos.

A ex-senadora, no entanto, ponderou que poderá ir ao encontro de outras legendas mais tradicionais. "Podemos fazer alianças pontuais. Não precisamos eliminar sonhos. Mas é preciso que fique claro que somos diferentes", afirmou. Marina lembrou ainda que a nova legenda não tem "uma liderança única e, sim, multicêntricas".

À tarde, ao ser questionada por jornalistas, Marina admitiu que uma nova candidatura à Presidência da República é uma "possibilidade", mas reconheceu que não há como repetir o desempenho obtido em 2010, quando recebeu mais de 19 milhões de votos. "Foi um momento único na minha vida", disse a ex-senadora, que disputou o Planalto pelo PV. Antes, Marina havia sido filiada ao PT por quase três décadas.

Além da ex-senadora e idealizadora da Rede, os futuros parlamentares da sigla fizeram discursos. Por ora, devem fazer parte da nova legenda os deputados Alfredo Sirkis (PV-RJ), que não pôde ir ao evento de ontem, Domingos Dutra (PT-MA) e Walter Feldman (PSDB-SP), além da vereadora de Maceió Heloisa Helena, ex-senadora e candidata à Presidência pelo PSOL em 2006. Em seu discurso, ela foi direta ao ponto: "Eu quero ter a honra, e por mais que a Marina não goste que eu fale, eu quero ter a honra de vê-la disputando a Presidência em 2014".

Ficha limpa. Apesar de exigir ficha limpa para seus dirigentes partidários e candidatos, os filiados não precisarão seguir a mesma regra. O partido aceitará, por exemplo, quem tiver sido condenado por crimes como invasão de terra, que a cúpula da Rede classifica como "crime político".

"Para filiar, não precisa de ficha limpa porque existem militantes que defendem a causa do movimento e que, por alguma perseguição política, respondem a processos judiciais", afirmou Feldman. Ele disse que "não serão aceitos aqueles que respondem a crimes do colarinho branco, como corrupção".

O ex-deputado do PT Marcos Rolim acrescentou que "alguns políticos" não entrarão no partido "nem se quiserem". Coube ao militante Martiniano Cavalcante nominá-los: "Paulo Maluf, Jader Barbalho e Renan Calheiros". Outro militante emendou: "nem José Sarney".

Além de futuros militantes, a Rede recebeu mensagens de apoio de políticos como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), além do frei Leonardo Boff. O compositor Gilberto Gil gravou um vídeo exibido na festa. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), esperado durante todo o dia, chegou somente no início da noite.

O local escolhido para o ato foi uma casa de festas que cobrou R$150 mil. Há três anos, a candidatura de Dilma Rousseff foi lançada no mesmo espaço. No fim do encontro, parte do palco cedeu, jogando ao chão alguns militantes que estavam próximos a Marina. Ninguém se feriu. "A rede caiu", brincou um militante.

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