Recuperação pode ser concluída no 1º semestre

Especialistas ouvidos pelo Estado estimam que o tratamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve durar até fevereiro de 2012. Se tudo ocorrer como planejado e Lula responder bem à terapia, poderá voltar às suas atividades entre os meses de abril ou maio do próximo ano. Isso significa que poderá participar da campanha para as eleições municipais.

KARINA TOLEDO, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2011 | 03h04

O oncologista Rafael Kaliks, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein e diretor científico do Instituto Oncoguia, explica que há duas possibilidades de tratamento em casos como o do ex-presidente. Pode-se aplicar radioterapia e quimioterapia associadas logo de início ou fazer três ciclos de quimioterapia antes de iniciar o tratamento radioterápico. "Estudos têm mostrado melhores resultados quando você faz três ciclos de quimioterapia e, em seguida, entra com radioterapia associada à quimioterapia. Me parece que é o caso de Lula", diz.

Segundo José Guilherme Vartanian, cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital A. C. Camargo, a quimioterapia para câncer de laringe não costuma causar queda de cabelo significativa, mas pode ter outros efeitos colaterais que prejudicam a qualidade de vida, como irritação da mucosa da boca, náusea, diarreia e prejuízos do sistema imunológico, da audição e dos rins.

A radioterapia pode trazer desconfortos ainda piores, como inflamação da pele e do tecido interno da garganta e diminuição na produção de saliva. "É bem provável que, durante um período, o ex-presidente tenha de se alimentar por sonda. Em alguns pacientes ocorre um inchaço na região que prejudica a passagem de ar, e, então, é necessário fazer uma traqueostomia. Mas são coisas temporárias e dependem da sensibilidade do paciente", explica Kaliks.

Segundo os médicos, algumas alterações, como a perda de paladar e a mudança no tom de voz, podem demorar mais de um ano para desaparecer. "Vai depender muito do quanto Lula vai se dedicar à reabilitação fonoaudiológica", afirma Vartanian.

Durante todo o tratamento, o ex-presidente vai precisar fazer exercícios para reaprender a falar, engolir e evitar engasgos. Lula também precisará de acompanhamento nutricional. Deverá evitar totalmente consumo de álcool e cigarro e dar preferência a alimentos pastosos, com pouco sal e gordura, mas ricos em fibras e vitaminas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.