Reaproximação com Dilma

A ideia de fusão entre PSD e PP repõe o prefeito Gilberto Kassab no caminho da base aliada do governo Dilma, confirmando a aliança com José Serra, nestas eleições, como um hiato no seu projeto de aproximação com o governo do PT. Lançada antes de concluído o segundo turno, ela pode ser interpretada também como um reconhecimento antecipado - e deselegante - de derrota do candidato do PSDB hoje.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h04

Tanto a ideia de fusão quanto a de aproximação do governo frequentam a agenda do novo partido desde o início do movimento dissidente do DEM que lhe deu origem.

Dois aspectos, no entanto, representam um desvio de rota nesse processo e tornam pessoal a iniciativa de Kassab: o primeiro, o parceiro escolhido; o segundo, o propósito ostensivo de precipitar a participação no ministério ainda no primeiro mandato de Dilma.

Excluído o PSDB, o alvo de uma fusão, se houvesse, seria o PSB, e assento em ministério só ocorreria no segundo mandato de Dilma, cuja reeleição ele apoiaria, na convicção, ainda presente, de que a popularidade da presidente lhe garantirá um segundo mandato. Chegaria a 2018 como um dos protagonistas da sucessão presidencial.

Kassab, porém, quer inserir o PSD no ministério já na reforma pós-eleitoral e se firmar como uma liderança nacional.

Sem mandato precisa criar a expectativa de poder que lhe propicia o comando do PSD e que aumentará substancialmente, na hipótese de uma fusão capaz de produzir o segundo maior partido, à frente do PMDB.

Mas falta combinar com os muitos russos que, por ora, assistem ao jogo.

Resistências

As dificuldades para a fusão começam na resistência de lideranças,

como a das senadoras Ana Amélia (PP-RS) e Kátia Abreu (TO), e do senador Francisco Dornelles

(PP-RJ), este mais ameno na reação. Passam, além disso, pela dificuldade

nas composições regionais e, ainda, pela brecha que abre para a saída

legal de parlamentares insatisfeitos com a união. Além disso, a legenda continuaria sob o comando

de Kassab e com o nome do PSD.

De atrativo, teria maior Fundo

Partidário e mais tempo de televisão. É pouco.

Barreira

Tendo à frente PMDB, PT, PP e PSDB, a Câmara tenta retomar na próxima semana a votação do projeto que barra a formação de novos partidos. Além do sucesso do PSD, a reação é precipitada pela anunciada disposição do deputado Paulinho da Força (PDT-SP), de criar um novo partido, depois que a Executiva Nacional do PDT interveio em São Paulo. Paulinho apoiou Serra, mas a cúpula pedetista fechou com Haddad.

Clã I

Se Edivaldo Hollanda Júnior (PTC) vencer hoje em São Luís, no Maranhão, vai impor uma derrota ao atual prefeito, João Castelo (PSDB), bem como ao clã Sarney, que deu apoio velado ao tucano no segundo turno. Castelo fazia oposição à governadora Roseana Sarney (PMDB), mas ambos se uniram no segundo turno a fim de barrar a ascensão de adversários dos Sarney no Estado, como Flávio Dino (PCdoB), pré-candidato ao governo em 2014, e os pedetistas, herdeiros de Jackson Lago.

Clã II

O PSDB pode fazer maior número de capitais. Os tucanos concorrem em oito de 17 capitais, com chances reais em Manaus (AM), Teresina (PI), Belém (PA) e São Luís (MA). O embate é com o PT em três: São Paulo, João Pessoa e Rio Branco. Já na capital acreana, a meta é acabar com 20 anos de hegemonia dos irmãos petistas Jorge e Tião Viana.

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