Rodrigo Félix Leal/PSD
Rodrigo Félix Leal/PSD

Ratinho Junior deixa Assembleia para focar na campanha no Paraná

Deputado estadual deixou o cargo sem votar o veto da governadora Cida Borghetti (PP) ao reajuste do funcionalismo público no Estado

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2018 | 12h36

CURITIBA - O deputado estadual Ratinho Junior (PSD), candidato ao governo do Paraná nas eleições 2018, se licenciará do cargo na tarde desta segunda-feira, 13, para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral. O anúncio foi feito pelo parlamentar em sabatina organizada pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), nesta segunda-feira, em Curitiba. Ratinho afirmou que a licença, não-remunerada, será de 90 dias, ou seja, acabará no dia 12 de novembro.

O deputado estadual deixará o cargo no dia em que a Assembleia derrubou vetos da governadora Cida Borghetti (PP), candidata à reeleição. Por ampla maioria, os deputados estaduais derrubaram os vetos, mantendo o reajuste de 2,76% – inflação do período de um ano –, ao salário do funcionalismo público ligado aos Poderes Legislativo e Judiciário, além de Defensoria Pública e Ministério Público. A governadora sugeria 1% de reposição salarial.

Evento

Ratinho foi o mais “tietado” entre os candidatos ao governo que participaram da sabatina da Faep, direcionado a lideranças da área rural. Enquanto que na apresentação da governadora e do deputado federal João Arruda (MDB) praticamente não houve manifestações dos cerca de 200 presentes no evento, o parlamentar foi aplaudido ao menos quatro vezes. Não houve confronto direto entre os postulantes ao cargo, mas apresentações individuais de propostas para a área rural. Apesar de o Estado ter dez candidatos ao governo, apenas os três foram convidados a discursar. A Federação não explicou o critério utilizado para o convite.

Este foi o primeiro encontro dos principais candidatos ao governo do Paraná depois da desistência da candidatura de Osmar Dias (PDT), que aparecia bem cotado em pesquisas eleitorais ao lado de Ratinho. Sem o pedetista, o MDB lançou o nome de Arruda ao cargo.

Adepto do discurso de “renovação”, Ratinho tem repetido que a política paranaense é dominada por poucas famílias há 40 anos e se coloca como candidato não ligado a grupos tradicionais do Estado. No discurso, ele afirmou que pretende “aposentar” alguns desses políticos. Questionado pela imprensa, Ratinho disse que a fala não se referia à Osmar. “Até porque ele [Osmar] nem está no jogo. É para aquele que a carapuça serviu”, afirmou.

Arruda também investiu no discurso do novo, afirmando que, ao contrário de Cida e Ratinho, que fizeram parte do governo Beto Richa (PSDB), ele é o único que não representa a continuidade da gestão tucana. “Eu sou o único que pode falar de fortalecimento do patrimônio público e de mudança nesse processo. Os outros candidatos representam a continuidade desse governo”, afirmou.

Última a falar, Cida, no cargo de governadora há quatro meses, apresentou slides com as principais ações na área rural da sua e da gestão de Richa, da qual era vice, e apresentou sugestões para o campo. “Precisamos voltar a estimular muitas áreas do Estado, como a infraestrutura e logística. Inclusive, isso é fundamental para o setor produtivo. Ainda, ampliar investimentos na defesa agropecuária do Paraná”, afirmou.

Armamento rural

Entre as demandas apresentadas pelos líderes rurais no evento, por meio de plano diretor da Faep, está a flexibilização do Estatuto do Desarmamento para permitir o uso de armas para defesa do produtor rural contra roubos e invasão de propriedade. Questionados, os candidatos tiveram posições diferentes sobre o tema. Enquanto Arruda disse não acreditar que “o problema se resolva com uma arma”, Ratinho disse que é a favor do armamento legal “para proteger a propriedade”. Já Cida afirmou que desconhecia o teor da proposta.

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