Radicalização de Alckmin preocupa cúpula tucana

Temor é de risco da aliança entre PSDB e DEM para um eventual segundo turno com Marta Suplicy

Cida Fontes, Agência Estado

17 de setembro de 2008 | 17h46

A estratégia do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, de bater duro no prefeito Gilberto Kassab (DEM), mobilizou as cúpulas do PSDB e do DEM, além de deixar irritado o governador José Serra. O temor é de que uma radicalização de Alckmin ponha em risco a aliança dos dois partidos em um eventual segundo turno com a candidata petista Marta Suplicy.   Veja também: Especial: Perfil dos candidatos  Blog: propostas dos candidatos de São Paulo na sabatina do 'Grupo Estado' Alckmin volta a centrar ataques em Kassab na TV No rádio, Marta reforça parceria com Lula e Dilma Campanha de Alckmin fica mais agressiva contra rivais Você vai acompanhar o horário eleitoral para definir seu candidato ?    A pressão mais forte sobre os tucanos veio imediatamente do DEM. Preocupados e contrariados com o comportamento do candidato tucano, o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), e o ex-senador Jorge Bornhausen, se revezaram, nas últimas 24 horas, em queixas ao presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Eles pediram a interferência de Sérgio Guerra que vem repassando a orientação aos coordenadores da campanha de Alckmin. "Se o Alckmin sair da medida e adotar uma atitude agressiva e ofensiva, poderá dificultar depois o apoio do DEM", afirmou o senador Sérgio Guerra ao deputado Edson Aparecido (PSDB-SP), um dos coordenadores da campanha de Alckmin. "Pode fazer críticas administrativas", aconselhou.   Sérgio Guerra tem atuado como bombeiro e conversou nesta quarta-feira, 17, também com o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP), ligado a Alckmin. Aníbal está também buscando uma solução conciliadora, mesmo porque sabe que o partido não pode negar apoio ao DEM em uma eventual disputa entre Kassab e Marta. "Apoiar o Kassab no segundo turno é o caminho natural", observou Aníbal, que não cogita, contudo, a possibilidade de o segundo turno em São Paulo não ser disputado por Alckmin. O próprio futuro político de Aníbal está em jogo nesse xadrez. Para ter a chance de concorrer a um cargo majoritário em 2010 - governo estadual ou Senado -, terá de estar em sintonia com Serra e seu grupo político.   Desde que desembarcou na terça-feira, 16, em Brasília, o senador Sergio Guerra tem se ocupado, principalmente, da eleição para a capital paulista. Ele tem sido procurado pelos dirigentes do DEM e principais líderes nacionais do PSDB. De Rodrigo Maia, ouviu outra preocupação: o DEM quer fechar um acordo com o PSDB em Salvador para o caso de o candidato do partido, deputado Antonio Carlos Magalhães Netto (DEM) - que está na dianteira das pesquisas - vir a disputar o segundo turno com o petista Walter Pinheiro.   Com a convicção de que a eleição da capital paulista é, estrategicamente, a mais importante para a oposição, o senador Sérgio Guerra disse nesta quarta-feira, 17, à Agência Estado que o comando nacional do PSDB quer fortalecer a posição do diretório municipal de São Paulo e reafirmar uma campanha de conteúdo propositivo. "O diretório municipal, presidido por Henrique Lobo, tem dado provas de equilíbrio e extremo compromisso partidário", salientou. Mas, alertou que o eventual descontrole na campanha de Alckmin poderá trazer transtornos.   "A orientação é no sentido de reduzir as divergências para que não se danifique a nossa provável vitória no segundo turno", disse, ainda apostando que Alckmin estará no segundo turno. "Na eleição de segundo turno vamos enfrentar uma candidata (Marta Suplicy) que não teve nem terá o que dizer ao povo de São Paulo. E Geraldo Alckmin é o mais indicado para esse confronto", ressaltou.   Na avaliação do senador, nos municípios onde o PSDB concorre com o PT, a posição dos tucanos, conforme dados de pesquisas eleitorais, é de "equilíbrio". À exceção de São Paulo, o PSDB, segundo Sérgio Guerra, está unido em todas as capitais. "Em São Paulo, o PSDB, infelizmente, não construiu sua unidade. Disputa a eleição dividido e envolve um partido de oposição (DEM) que tem uma aliança com o PSDB em nível nacional", disse, acrescentando que interessa ao PSDB "desenvolver e aprofundar essa aliança".

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